Abbas: Israel está mudando alicerces cristãos e muçulmanos de Jerusalém

Ramala, 20 jul (EFE).- O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, acusou hoje Israel de tentar mudar os alicerces cristãos e muçulmanos de Jerusalém para transformá-la em uma cidade completamente judaica.

EFE |

"A Cidade Antiga de Jerusalém sofre hoje sérias ameaças, porque (Israel) tenta transformá-la em uma cidade totalmente judaica, apagando seus alicerces cristãos e muçulmanos", disse Abbas a uma multidão de palestinos na cidade cisjordaniana de Belém.

O líder palestino acrescentou que "Israel escava sob cada esquina da cidade, o que significará um verdadeiro perigo para as construções históricas e religiosas, principalmente a Mesquita de Al-Aqsa", terceiro lugar sagrado em importância para o Islã.

Abbas reiterou que a política do Estado judeu "de demolir ou confiscar casas (palestinas), assim como a imposição de onerosos impostos para seus residentes cristãos e muçulmanos está obrigando esta comunidade a ir embora da cidade".

Apesar de não existirem dados oficiais, calcula-se que 1,5 mil edifícios em Jerusalém Oriental correm o risco de serem demolidos pelas autoridades israelenses, que os consideram "ilegais", uma política que, segundo os moradores palestinos, tem por objetico "judaizar" a cidade e dar lugar a mais colonos.

Desde 1967, ano em que Israel ocupou os territórios palestinos, este país expropriou 35% de Jerusalém Oriental a fim de construir 50 mil casas em bairros pensados principalmente para judeus.

Neste mesmo período, apenas 600 casas foram construídas com o apoio do Governo para uso dos habitantes palestinos, afirma hoje o jornal "Ha'aretz".

Os palestinos buscam estabelecer a capital de seu futuro Estado em Jerusalém Oriental.

As afirmações do presidente palestino ocorrem um dia depois de o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, rejeitar as exigências dos EUA de paralisar uma construção para judeus em Jerusalém Oriental.

"Os israelenses têm que pagar o preço da paz e se retirar dos territórios ocupados, e parar toda tipo de assentamentos que representam o principal obstáculo para alcançar a paz", disse Abbas.

O presidente da ANP afirmou que só "a obtenção dos plenos direitos legítimos dos palestinos é a chave para conseguir a paz no Oriente Médio", e ressaltou que "uma paz global e justa requer uma determinação real, mas nunca poderá ser obtida de forma unilateral".

EFE nm-sar-db/an

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