Abbas estende a mão ao Hamas e propõe governo de coalizão

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, estendeu nesta segunda-feira a mão ao movimento radical Hamas e propôs a formação de um governo de coalizão para convocar eleições legislativas e presidenciais simultâneas.

Redação com agências internacionais |

A oferta foi feita durante uma reunião de cúpula organizada no Kuwait para arrecar fundos de ajuda para Gaza e onde o rei Abdullah da Arábia Saudita anunciou que seu país doará 1 bilhão de dólares para a reconstrução do território devastado por 22 dias de ofensiva israelense, que deixou mais de 1.300 mortos.

Em meio a estas discussões, um funcionário israelense mencionou a possibilidade de o secretário-geral da ONU, Ban Ki-monn, realizar uma visita a Gaza nesta terça-feira, o que não foi confirmado pelas Nações Unidas.

Em Gaza, as tropas israelenses proseguiam se retirando gradualmente. Fontes militares israelenses afirmaram que não houve incidentes na madrugada de domingo e que as forças continuam se retirando do território palestino controlado pelo Hamas.

"Vitória histórica"

O Hamas, que proclamou uma "vitória histórica" contra Israel, se esforçou para minimizar as perdas que sofreu no conflito, afirmando que sua capacidade de lançar foguetes contra Israel não foi afetada.

Enquanto isso, em Gaza, policiais do Hamas patrulhavam as ruas e os bancos abriram suas portas nesta segunda-feira, um dia depois do fim de uma sangrenta ofensiva israelense de 22 dias em Gaza. Alguns habitantes criticaram o movimento islamita palestino, que cantou vitória.

Centenas de palestinos aproveitaram o cessar-fogo proclamado separadamente por Israel, e depois pelos Hamas, para ir a bancos e às lojas, que abriram depois de 22 dias de fechamento.

"Esta guerra nos fez recuar 50 anos. É como a Nakba de 1948", afirmou, referindo-se à "catástrofe" que foi para os palestinos a criação do Estado de Israel, Abu Ihab, um empresário de 55 anos, olhando as ruínas ao sair de sua casa hoje.

"Para mim, o Hamas cometeu um erro, pois toda guerra deve ter objetivos políticos e ser baseada em planos militares. O Hamas só contou com as promessas mentirosas do Irã e da Síria", acrescentou.

"O Hamas se lançou sem pensar em uma aventura cujo resultado é esta catástrofe que nos atingiu", exclamou.

Balanço de danos

De acordo com o escritório palestino de estatísticas, 4.100 casas foram totalmente destruídas e mais 17.000 foram danificadas. Dez corpos foram resgatados entre os escombros nesta segunda-feira.

Mais de 1.300 palestinos morreram em três semanas, incluindo 410 crianças e 108 mulheres, e mais de 5.300 foram feridos, segundo os serviços de urgência de Gaza. Do lado israelense, morreram 10 militares e três civis.

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