Abbas enviará delegação a Gaza para reconciliação

Líder do Fatah, que controla a Cisjordânia, busca retomar contato com o grupo palestino rival Hamas, que controla a Faixa de Gaza

iG São Paulo |

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, anunciou nesta segunda-feira que vai enviar uma delegação à Faixa de Gaza para buscar a reconciliação com o movimento islâmico Hamas, que controla esse território.

AFP
Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina
"A melhor resposta ao ataque do Exército israelense ao comboio naval com ajuda humanitária a Gaza, no qual morreram nove cidadãos turcos, seria a reconciliação de todas as facções palestinas", assegurou Abbas em declarações à emissora turca "NTV". "Criamos uma delegação para ir a Gaza e persuadir o Hamas para a reconciliação", afirmou.

Os dois principais grupos palestinos - o Hamas, que controla a Faixa de Gaza, e o nacionalista Fatah, que governa na Cisjordânia - romperam relações em meados de 2007. "Acredito e espero que dessa vez tenhamos êxito em nos unir. Desejo que o Hamas dê as boas-vindas à delegação que irá a Gaza por solidariedade nacional", acrescentou Abbas, líder do Fatah.

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP) indicou que a única condição é que o Hamas aceite a proposta de reconciliação apresentada pelo Egito, assinada pelo Fatah em outubro passado e rejeitada pelo grupo islâmico por considerar que incluía pontos que não haviam sido discutidos.

Por outro lado, Abbas expressou satisfação com as iniciativas civis para romper o bloqueio marítimo a Gaza. Segundo ele, "deve-se tentar todos os métodos para acabar com o embargo e as pressões impostas ao povo palestino".

Abbas, no entanto, descartou uma revolta civil contra Israel. "Uma nova Intifada não é possível. Todos sabemos as consequências perigosas que levaria uma Intifada. Em vez de uma resistência armada, devemos buscar uma resistência pacífica", afirmou.

Ataque contra palestinos

A Marinha israelense abriu fogo na madrugada desta segunda-feira contra um barco palestino na costa de Gaza, matando quatro pessoas. No começo da madrugada, a rádio militar israelense havia informado que cinco pessoas haviam sido mortas no ataque.

As Forças Armadas do país disseram que o barco levava militantes armados, em roupas de mergulho, preparando-se para atacar Israel. "Uma patrulha naval israelense avistou um barco com quatro homens em trajes de mergulho, a caminho de realizarem uma ação terrorista, e atirou contra eles", disse um porta-voz militar, sem esclarecer qual seria o suposto alvo do ataque militante.

O Hamas, movimento islâmico palestino que controla a Faixa de Gaza, confirmou o incidente, acrescentando que retirou quatro corpos do mar. O Fatah, partido palestino que controla a Cisjordânia, disse que os corpos seriam de integrantes de seu braço militar e que um quinto integrante ainda está desaparecido.

Na semana passada, as Forças Armadas do país atacaram uma frota de barcos que carregava centenas de ativistas pró-Palestina, e tinha como missão levar ajuda humanitária para Gaza. Israel disse que os barcos tinham finalidades terroristas. Nove pessoas morreram na operação .

A imprensa israelense disse que a ação desta segunda-feira foi realizada pela mesma unidade naval que abordou a frota de ajuda humanitária na segunda-feira passada. O Exército não quis entrar nesses detalhes.

Também nesta segunda-feira, fontes do Hamas e de hospitais de Gaza disseram que um avião israelense jogou um míssil contra militantes num terreno perto da Cidade de Gaza, ferindo gravemente um homem. Um porta-voz militar de Israel confirmou que o míssil tinha como alvo um grupo de militantes que estaria tentando lançar um foguete contra Israel.

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