Abbas e Olmert seguem negociação, apesar de incerteza no Governo israelense

Jerusalém, 16 set (EFE) - O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, e o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, se reuniram hoje em Jerusalém para tentar avançar no diálogo de paz, apesar da incerteza em torno da sucessão do chefe de Governo de Israel.

EFE |

Os dois dirigentes "discutiram durante duas horas os assuntos centrais do conflito" entre israelenses e palestinos, explicou à Agência Efe o porta-voz de Olmert, Mark Regev.

As questões se referem às fronteiras do futuro Estado palestino, à capital desse em Jerusalém, ao destino dos refugiados palestinos, aos assentamentos, à segurança de Israel e à gestão de água.

Olmert e Abbas acordaram ainda em se reunir de novo dentro de duas semanas, quando o presidente da ANP voltar da reunião da Assembléia Geral das Nações Unidas, acrescentou Regev.

O objetivo destes encontros é alcançar um acordo de paz antes do fim do ano, como se comprometeram em novembro na Cúpula de Annapolis (Estados Unidos).

Esta última reunião mostra, na opinião de Regev, a vontade de ambas as partes de continuar a negociação, embora Olmert já tenha anunciado sua renúncia.

Fontes palestinas ligadas ao diálogo de paz interpretaram, por outro lado, a reunião de hoje como "uma despedida informal" de Olmert, com a qual "a parte palestina queria demonstrar que está disposta a negociar com ele e com quem for".

Desde novembro, os dois líderes se reuniram com freqüência e mantiveram uma boa relação pessoal que motivou o ato de despedida de hoje, que ainda não tinha terminado, conforme anunciado antes por fontes palestinas.

A reunião ocorreu após o fim do jejum no mês sagrado muçulmano do Ramadã, ao contrário de seus freqüentes almoços de trabalho pouco depois do meio-dia.

Na reunião, segundo as fontes palestinas, Abbas pediu a Olmert que lhe explicasse detalhadamente em um mapa qual teria sido sua última oferta de acordo, se soubesse que poderia aplicá-lo no futuro.

Afetado por uma série de escândalos de corrupção, Olmert anunciou que renunciaria após seu partido, o Kadima, escolher amanhã, em eleições primárias, um líder que tentará formar um novo Governo.

Sua provável sucessora é a atual ministra de Assuntos Exteriores, Tzipi Livni, uma pragmática partidária do diálogo com os palestinos e chefe da equipe de negociação israelense.

Caso Shaul Mofaz, o segundo candidato com mais chances, vença, as negociações de paz poderiam ser afetadas, pois se trata de um militar menos favorável ao diálogo com Abbas.

A última pesquisa dá a Livni 47% de apoio entre os mais de 72 mil filiados ao Kadima (partido criado em 2005 pelo então primeiro-ministro Ariel Sharon), contra 28% de Mofaz.

Caso um candidato obtenha amanhã pelo menos 40% dos votos, não será necessário realizar um segundo turno da consulta.

No entanto, Olmert poderia seguir à frente do Executivo até o próximo ano se o vencedor das primárias não conseguir formar um novo Governo e, portanto, convocar eleições antecipadas.

Esta última hipótese preocupa os defensores do diálogo, pois as pesquisas dão como eventual vencedor o ex-primeiro-ministro e líder do conservador Likud, Benjamin Netanyahu, contrário ao atual diálogo de paz.

O processo de negociação entre israelenses e palestinos aconteceu até agora com grande discrição, embora ambas as partes reconheçam a falta de avanços substanciais.

Apesar disso, convém lembrar que os acordos costumam ocorrer pouco antes do prazo limite, quando o tempo pressiona.

Neste sentido, o ministro de Assuntos Exteriores espanhol, Miguel Ángel Moratinos, afirmou, durante sua recente visita à região, que israelenses e palestinos estão "muito perto" de um acordo, pois Olmert apresentou uma "boa" proposta ao presidente da ANP.

Israel aposta na assinatura de um documento que deixe para o futuro os temas mais complicados, principalmente Jerusalém, enquanto os palestinos insistem em que "nada está estipulado até que tudo esteja estipulado".

A grande incógnita reside agora em saber quem será o encarregado pela parte israelense de buscar um final de um conflito de décadas com os palestinos. EFE ap/rb/db

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