O presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, excluiu nesta quinta-feira retomar negociações com Israel se este não interromper a colonização e insistiu no direito de seu povo à legítima defesa.

Após a primeira reunião da nova direção de seu partido Fatah na cidade de Ramallah, na Cisjordânia, Abbas afirmou que "qualquer negociação deve ser baseada no respeito das partes, sobretudo de Israel, aos compromissos adquiridos em relação ao 'Mapa do Caminho' e, em primeiro lugar, no fim da colonização sob todas as suas formas, e sem exceção, em Jerusalém e no restante dos territórios ocupados".

"Nosso povo é partidário da opção pela paz, mas se reserva o direito de recorrer à resistência legítima, garantida pelo Direito Internacional, contra a ocupação e a colonização, e para alcançar seus objetivos que são a liberdade, a independência e a criação de seu Estado", acrescentou.

Também saudou os "esforços do presidente (norte-americano) Barack Obama e sua insistência na necessidade de criação de um Estado palestino e da interrupção total da colonização".

O congelamento da colonização exigido por Obama e rejeitado pelo governo de direita israelense, dirigido por Benjamin Netanyahu, foi foco de tensões entre Estados Unidos e Israel.

Abbas afirmou que o Congresso do Fatah, que traz sangue novo a seu executivo pela primeira vez em vinte anos, havia sido "um grande êxito".

O Congresso, aberto em 4 de agosto, será concluído após o anúncio, nesta quinta-feira à noite ou na sexta, dos resultados da eleição em outra instância do Fatah: o Conselho Revolucionário.

"Marca o início de um processo de reforma", disse Abbas, que se mantém à frente do movimento fundado pelo líder histórico Yasser Arafat no final dos anos 1950.

Abbas também arremeteu contra o Hamas por ter impedido centenas de delegados do Fatah em Gaza de assistir ao Congresso e denunciou "a repressão praticada pelos golpistas".

As eleições do Fatah permitiram a entrada de líderes da nova geração. É o caso de Marwan Barghuti, preso em Israel, e de figuras proeminentes dos serviços de segurança, como Mohammad Dahlan e Khibril Rajub.

Mas um peso pesado do Fatah, o ex-primeiro-ministro e ex-negociador Ahmad Qorei, que perdeu seu assento, denunciou "manipulações" que em sua opinião comprometeram a votação. Abbas minimizou a importância dessa declaração e descarta uma "cisão".

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