Abbas dá ultimato ao Hamas para retomar diálogo interpalestino

O presidente palestino, Mahmud Abbas, deu um prazo de até o fim do ano aos islamitas do Hamas, no poder pela força, na Faixa de Gaza, para aceitar um diálogo de reconciliação porque, caso contrário, convocará eleições gerais.

AFP |

"Repetimos hoje que vamos conceder um prazo até o final do ano para o lançamento de um diálogo nacional. Se nossa oferta for em vão, convocaremos eleições presidenciais e legislativas de proporcionalidade integral", declarou Abbas em um discurso pela televisão por ocasião de sua designação como "presidente do Estado da Palestina" uma instância-chave da Organizaçao para a Libertação da Palestino (OLP).

Estava previsto que o partido de Abbas, o Fatah, e o Hamas mantivessem um diálogo de reconciliação no Cairo em 10 de novembro passado, mas o encontro foi cancelado depois que o movimento islamita decidiu boicotá-lo para protestar contra as detenções políticas de seus membros na Cisjordânia.

O Hamas, por sua vez, criticou nesta segunda-feira a designação de Abbas como "presidente da Palestina", classificando isso de manobra para fugir à expiração em breve de seu mandato na chefia da Autoridade Palestina.

"A noção de um Estado é um território, um povo e um poder. E, para que seja representativo, o presidente desse Estado deve ser eleito pelo povo e não designado por uma instância desprovida de legitimidade como o Conselho Central da Organização para a Libertação da Palestina (CCOLP)", declarou o mais influente dos dirigentes do Hamas em Gaza, Mahmud Zahar.

Abbas, cujo mandato após o dia 8 de janeiro de 2009 não será reconhecido pelo Hamas, foi designado no domingo presidente da Palestina pelo CCOLP.

O CCOLP conta com 120 membros, dos quais a maioria votou a favor da manutenção de Abbas no cargo.

O Hamas se baseia na Constituição da Autoridade Palestina, que estabelece quatro anos para o mandato de seu presidente. Abbas foi eleito em 8 de janeiro de 2005.

Já o Fatah, ligado a Abbas, apóia-se na lei eleitoral, que estipula que as eleições presidenciais e legislativas devem ser realizadas no mesmo dia, motivo pelo qual o mandato de Abbas deve se prolongar por mais um ano. O atual Parlamento, dominado pelo Hamas, foi eleito em janeiro de 2006, para um mandato de quatro anos.

O "Estado Palestino" foi proclamado simbolicamente em 1988 por Yasser Arafat, mas ainda não foi reconhecido, devido à ocupação israelense.

na-ezz/cn/fp

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