Abbas: Com posições de Olmert paz é possivel em dois dias

O presidente palestino Mahmoud Abbas manifestou surpresa e contentamento com as últimas declarações do primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, ao dizer que os israelenses devem se retirar dos territórios ocupados se quiserem fazer a paz com os palestinos. Abbas afirmou que se essas posições forem adotados pelo sucessor de Olmert, será possível alcançar a paz em dois dias.

BBC Brasil |

Em uma longa entrevista para o maior jornal de Israel, o Yediot Ahronot, Olmert disse que para fazer a paz com os palestinos e com a Síria, Israel deve se retirar de praticamente todos os territórios ocupados durante a guerra de 1967.

Em um encontro com líderes muçulmanos, na noite da quarta-feira, para comemorar a festa de Id El Fiter que marca o fim do mês do Ramadã, o presidente palestino Mahmoud Abbas comentou as declarações do premiê israelense e afirmou que "são essas as palavras que vão nos levar à paz e seria melhor se tivessem sido ditas no começo".

Olmert fez as declarações, consideradas históricas, depois de ter renunciado ao cargo de primeiro-ministro, em decorrência de acusações de corrupção.

Depois que sua sucessora na liderança do partido Kadima, a ministra do Exterior Tzipi Livni, formar uma nova coalizão governamental, Olmert deverá deixar o cargo.

"Esperamos que as declarações de Olmert sobre Jerusalém, a Cisjordânia e a região do Golã sejam deixadas como 'depósito' para o próximo governo israelense", disse Abbas.

"Se trata de um precedente em que um primeiro-ministro de Israel menciona a retirada de toda a Cisjordânia, toda a região do Golã e de Jerusalém ocupada, que passa a reconhecer como capital do Estado Palestino", afirmou o presidente palestino.

O presidente Abbas também lembrou a iniciativa dos países árabes e disse que "se houver paz entre Israel e os palestinos, todos os países árabes e muçulmanos terão relações normais com Israel".

Em uma entrevista publicada em seis páginas no jornal Yediot Ahronot, às vésperas do ano novo judaico, o primeiro-ministro Olmert admitiu ter errado em sua visão do conflito, durante mais de 30 anos, nos quais se opôs à retirada israelense dos territórios ocupados.

"Mais uma colina, mais cem metros, não é isso que vai influenciar a segurança de Israel", disse Olmert.

"Hoje temos meios para impedir ataques de tanques sírios sem ocupar nem um metro da Síria", afirmou. Olmert acrescentou que Israel "deve chegar a um acordo com os palestinos e para isso devemos nos retirar de quase todos os territórios... inclusive de Jerusalém".

"Quem realmente quer segurança em Jerusalém tem que abrir mão de partes da cidade".

"Eu fui o primeiro que defendeu a implementação da soberania israelense em toda a área de Jerusalém, admito, não venho justificar o que fiz durante 35 anos, em grande parte desse período eu não estava pronto para olhar para a realidade em toda a sua profundidade", declarou Olmert.

Olmert também afirmou que uma "certa porcentagem do território deverá ficar nas mãos de Israel mas em troca o país deverá entregar aos palestinos porcentagens semelhantes de seu território, sem isso não haverá paz".

"A força de Israel é grande", disse Olmert, "é suficiente para que possamos enfrentar qualquer ameaça e agora devemos tentar ver como podemos utilizar essa força para construir a paz e não para ganhar a guerra".

Avshalom Vilan, deputado do partido Meretz, disse à radio estatal de Israel que não ficou surpreso com as posições sem precedentes que Olmert defendeu na entrevista.

"Há um ano Olmert reuniu os deputados do nosso partido e disse exatamente as mesmas coisas", afirmou Vilan, "mas pediu que não as divulgássemos para não prejudicar as negociações com os palestinos".

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG