Abbas buscará apoio de Lula a independência palestina

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, chegou ao Brasil nesta quinta-feira para uma visita oficial de três dias em que deverá buscar o apoio do governo brasileiro ao plano de declaração unilateral de independência da Palestina. A viagem ocorre depois de o negociador-chefe palestino, Saeb Erekat, ter anunciado, no domingo, que vai pedir ao Conselho de Segurança da ONU que reconheça um Estado palestino independente.

BBC Brasil |

"O assunto deverá ser tratado no encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva", disse à BBC Brasil o primeiro conselheiro da Delegação Especial da Palestina no Brasil, Salah El-Qatta.

O presidente palestino também deverá visitar a Argentina e o Chile em busca de apoio. Estados Unidos e União Europeia já afirmaram que não vão respaldar o plano de declaração unilateral de independência.

Abbas desembarcou em Salvador, na Bahia, na manhã desta quinta-feira. Nesta sexta-feira, também na capital baiana, os dois líderes se reúnem para a assinatura de um protocolo de intenções sobre cooperação técnica.

No encontro com Lula, o presidente palestino deverá discutir o apoio brasileiro aos esforços de paz no Oriente Médio.

"Os dois presidentes discutirão temas em comum, como a paz no Oriente Médio e o papel do Brasil, que cada vez é mais importante", disse à BBC Brasil o embaixador palestino em Brasília, Ibrahim Alzeben.

"O Brasil mantém relações boas e históricas com ambas as partes, tanto com o lado israelense quanto com o lado palestino, e pode ajudar a convencer Israel a cumprir com o direito internacional", afirmou o embaixador.

Impasse

Abbas vem ao Brasil uma semana depois da visita do presidente de Israel, Shimon Peres, e em um momento de impasse na retomada das negociações de paz.

Nesta semana, logo após o anúncio do plano palestino de declaração de independência, Israel autorizou a construção de mais 900 casas no assentamento de Gilo, que fica em território ocupado, reivindicado pela Autoridade Palestina, em Jerusalém Oriental.

A medida foi recebida com críticas por parte de diversos países. Em nota, o Itamaraty afirmou que "a decisão do governo israelense de expandir assentamento situado em território palestino viola resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas a respeito do tema e contraria as obrigações assumidas por Israel no âmbito do Mapa do Caminho".

"Representa um duro golpe nos esforços internacionais que visam à retomada do processo de paz na região e constitui novo obstáculo à consecução do objetivo de um futuro Estado palestino geograficamente coeso e economicamente viável", diz o comunicado.

A nota afirma ainda que o governo brasileiro "conclama o governo de Israel a rever a decisão anunciada, de modo a ampliar as condições políticas necessárias para que israelenses e palestinos voltem à mesa de negociações, com vistas a alcançar um acordo que viabilize a solução de dois Estados".

Há duas semanas, Abbas anunciou que não pretende concorrer à reeleição devido ao impasse nas negociações. O principal motivo seria a recusa de Israel em congelar os assentamentos judaicos em territórios palestinos, uma questão considerada crucial pelos palestinos para a retomada das negociações de paz.

Na semana passada, a Comissão Eleitoral Palestina recomendou o adiamento da votação, inicialmente prevista para 24 de janeiro, depois de o Hamas, grupo que controla a Faixa de Gaza, ter anunciado que iria impedir a realização do pleito no território. Outro motivo seria a indefinição sobre se Israel vai ou não colaborar com a votação.

O anúncio de Abbas provocou uma crise de liderança na Autoridade Nacional Palestina (ANP), instituição que, no papel, governa os territórios palestinos, mas, na prática, governa a Cisjordânia.

Esta é a segunda visita de Abbas ao Brasil. Em 2005, ele participou no país da 1ª Cúpula América do Sul - Países Árabes.

Após deixar Salvador, o presidente palestino irá a Porto Alegre, onde se reúne com a comunidade palestina no Rio Grande do Sul - a maior do Brasil. Depois, segue para a Argentina.

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