Abbas ameniza exigências para retomar negociações com Israel

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, sugeriu nesta segunda-feira que os palestinos podem voltar a negociar com o governo israelense se as ampliações nos assentamentos judaicos na Cisjordânia forem interrompidas por um período determinado. A declaração parece suavizar a posição original palestina de não discutir o processo de paz enquanto as ampliações não fossem completamente interrompidas.

BBC Brasil |

"Se Israel interromper as construções nos assentamentos por um período determinado... estaremos preparados para reiniciar estas discussões", disse Abbas em Berlim, após uma reunião com a chanceler alemã, Angela Merkel.

A interrupção poderia ser de apenas três meses, segundo o jornal britânico The Guardian, que publicou uma entrevista com o presidente palestino nesta segunda-feira.

Estado único
Abbas disse que, além da interrupção nas construções em terras que os palestinos pretendem usar para seu futuro Estado, Israel deve aceitar as fronteiras de junho de 1967.

"Estas não são pré-condições, são exigências do Mapa de Paz (iniciativa de 2002 apoiada pelos Estados Unidos para o conflito entre israelenses e palestinos)", disse.

"Se eles (israelenses) não estiverem preparados para isso, significa que não estão preparados para uma solução política."
Para Abbas, o aumento contínuo dos assentamentos está "levando à solução de um Estado único, o que rejeitamos".

O premiê israelense, Binyamin Netanyahu, anunciou em novembro um congelamento parcial nas construções em assentamentos na Cisjordânia.

A medida foi considerada insuficiente pelos palestinos porque, além de ser apenas parcial, o congelamento não inclui as construções em Jerusalém Oriental.

Tanto a Cisjordânia como Jerusalém Oriental foram capturadas por Israel em 1967 e fazem parte dos planos palestinos para a construção de seu futuro Estado.

Os assentamentos judaicos na Cisjordânia são considerados um dos maiores obstáculos ao avanço das negociações entre os dois lados.

Economia
Ainda na segunda-feira, Merkel declarou que ela e Abbas fecharam um acordo para a criação de um comitê econômico para fortalecer a economia palestina, ressaltando que o apoio alemão já trouxe resultados visíveis nos territórios, especialmente na Cisjordânia.

Ela disse que o cerco israelense imposto à Faixa de Gaza, controlada pelo Hamas, grupo rival do Fatah de Abbas, é preocupante do ponto de vista humanitário.

A Alemanha, segundo Merkel, vem apoiando Gaza ao fornecer combustível e energia via a Autoridade Palestina.

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