Abbas ameaça convocar eleições na Palestina, Hamas se opõe

Por Wafa Amr RAMALLAH, Cisjordânia (Reuters) - O presidente da autoridade palestina, Mahmoud Abbas, disse no domingo que convocará eleições em 2009 caso não haja, até o fim deste ano, uma reconciliação entre o movimento secular Fatah e seus rivais islâmicos do Hamas.

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"Caso o diálogo não comece, e se falharmos, eu vou lançar um decreto presidencial no começo do ano que vem, pedindo eleições parlamentares e presidenciais simultâneas", disse Abbas aos membros da Organização pela Libertação Palestina.

No entanto, ele não deu uma data certa para a convocação. As eleições poderiam ser feitas 90 dias depois do decreto, mas não há idéia de quando isso aconteceria.

O Hamas rapidamente se opôs ao comunicado de Abbas.

"É um chamado ilegal e inconstitucional", disse o porta-voz Fawzi Barhoum. Para ele, convocar eleições "confirma suas intenções absolutas de anular o diálogo".

Abbas não disse como as eleições parlamentares e presidenciais seriam feitas em conjunto, já que o Fatah e o Hamas dominam territórios separados.

Ele também não abordou a possibilidade do Hamas se recusar a participar das eleições, como já fez no passado.

Abbas e o Hamas acusam um ao outro de atrapalhar os esforços egípcios de solucionar o racha entre os palestinos, o que, por sua vez, prejudica as negociações paz com Israel.

O Hamas venceu a última eleição, feita em janeiro de 2006, decepcionando o Ocidente, que tinha esperanças de que ajudasse Abbas e o Fatah nas negociações de paz.

Abbas criticou o governo liderado pelo Hamas depois que o grupo islâmico expulsou partidários do Fatah e assumiu a Faixa de Gaza, em junho de 2007. O Fatah agora detém a Cisjordânia, mas Gaza continua firme nas mãos do Hamas.

O Hamas diz que não vai reconhecer Abbas como presidente depois que acabar seu mandato de quatro anos, em 9 de janeiro. O grupo exigiu eleições, mas rejeita a insistência de Abbas em convocar eleições parlamentares simultâneas, o que encurtaria o domínio do Hamas no parlamento palestino.

Abbas diz que a lei lhe dá o direito de permanecer no poder até 2010.

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