Abbas acusa Hamas de aumentar brecha entre os palestinos

Alberto Masegosa. Belém, 4 ago (EFE).- O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, abriu hoje o sexto congresso de sua formação nacionalista Fatah acusando o movimento islâmico rival Hamas de aprofundar a brecha entre o povo palestino.

EFE |

"O Hamas aprofundou a brecha que nos separa", afirmou, em alusão a que a organização islâmica impediu de sair de Gaza 350 membros do Fatah que representariam esse território na conferência, que acontecerá por três dias na cidade cisjordaniana de Belém.

Abbas dirigiu a esses representantes a mensagem de que "não se preocupem, estão em nosso coração e os tiraremos de Gaza", que serviu de entrada para um discurso de duas horas que buscou defender a linha de moderação do Fatah.

"Desde o início, levantamos suspeitas", disse, antes de repassar a trajetória de seu movimento, que ao longo de meio século de existência foi "incompreendido", tanto quando praticava a luta armada quanto na atualidade, que aposta no diálogo.

Após lembrar que "rejeitamos todo tipo de terrorismo desde 1998" - ano em que o Fatah reconheceu o direito de existir do Estado de Israel -, equiparou "um negociador e um miliciano", porque, explicou, os dois têm como missão "a luta pela liberdade".

Reiterou sua postura de negociar uma saída ao conflito com Israel "enquanto houver alguma possibilidade", mas afirmou que, caso "essa opção estratégica" fracasse, "reservamo-nos o direito à resistência", com o que começou a maior ovação da sessão.

Abbas evitou, no entanto, qualificar de "armada" essa "resistência", que deu a entender que seria de caráter civil, precisando que aconteceria "sob as leis internacionais".

A referência à "resistência" é habitual nas reuniões dos grupos políticos palestinos, mas não passa de marginal na minuta da declaração final da conferência, que ressalta os aspectos políticos do conflito com o Estado judeu.

De 41 páginas, o texto insiste na necessidade de que Israel freie a construção em suas colônias em solo palestino como condição para retomar o processo de negociação, em consonância com a posição do presidente americano, Barack Obama.

Além de aprovar a declaração final, os 2,2 mil representantes que assistem ao encontro renovaram a composição do Comitê Central, de 21 membros e principal órgão do movimento, e da outra instância principal, o Conselho Revolucionário, com 120 integrantes.

O primeiro congresso que o Fatah convoca em duas décadas e em território palestino ocupado por Israel, o de Belém acontece a portas fechadas em uma sala de conferências situada perto da Basílica da Natividade e em meio a grandes medidas de segurança.

A reunião fixou o objetivo de que o Fatah recupere a confiança majoritária dos palestinos, que tinha durante a liderança de seu histórico líder Yasser Arafat, cuja morte, em 2004, representou o início do fim da hegemonia do movimento nacionalista.

Dois anos depois da morte de Arafat, o Hamas derrotou sem paliativos o Fatah nas eleições palestinas de 2006, e o movimento nacionalista espera obter a revanche nas urnas em janeiro do próximo ano, quando estão previstas novas eleições.

A convocação dessas eleições depende, no entanto, de que os dois movimentos palestinos mais representativos definam um Governo de união nacional nas negociações mantidas no Cairo com mediação egípcia, que permanecem bloqueadas.

A proibição do Hamas de permitir a saída da Faixa de Gaza dos delegados do Fatah - em resposta à recusa de Abbas de libertar mil de milicianos islâmicos presos na Cisjordânia - não permite ter esperanças de que esse bloqueio tenha um final em breve. EFE amg/an

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG