A violência das máfias asiáticas invade a Croisette

O sangue manchou de vermelho as telas do Festival de Cannes, neste domingo, com dois filmes sobre as máfias asiáticas que destacam a violência: Vengeance do cineasta de Hong Kong Johnnie To, protagonizado pelo roqueiro francês Johnny Hallyday, e Kinatay do filipino Brillante Mendoza.

AFP |

Ídolo da música francesa há quase meio século, mas que alterna sua carreira de cantor com atuações em alguns filmes, entre eles "Detetive" de Jean-Luc Godard, Hallyday concentrou neste domingo a atenção do Festival por seu trabalho dirigido por Johnnie To, especialista do gênero policial e um dos diretores asiáticos mais conhecidos no Ocidente.

Em "Vengeance", Hallyday interpreta um francês que chega a Macao, onde a família de sua filha foi assassinada. Costello (homenagem de To a Jean-Pierre Melville, seu personagem leva o mesmo nome que o interpretado por Alain Delon em "O Samurai") decide se vingar e contrata para isso assassinos da máfia local.

Mas o vingador está perdendo a memória devido a um antigo ferimento na cabeça e o trio de assassinos contratados está estreitamente ligado ao mafioso responsável do assassinato de sua família.

Esta trama dá lugar a uma sucessão de tiroteios e matanças, que Johnnie To filma com preciosismo e salpica de momentos de humor.

Evocando sua admiração pelo diretor norte-americano Sam Peckinpah, Johnnie To declarou em Cannes que realizou este filme como um "western", e respeitou os códigos deste gênero.

Ainda mais violento, "Kinatay" do filipino Brillante Mendoza, descreve quase em tempo real o sequestro, a tortura e o assassinato de uma prostituta por um grupo de mafiosos, que depois cortam seu corpo e espalham pela cidade.

O personagem central é um jovem estudante de uma academia de polícia que colabora com um grupo de delinquentes para ganhar mais dinheiro. No dia de seu casamento, é envolvido em uma operação de maior envergadura e se torna tanto testemunha quanto cúmplice do crime.

A câmara de Mendoza acompanha com uma lentidão desesperadora o percurso da caminhonete na qual os mafiosos levam sua vítima, e depois o estupro e o assassinato, enquanto mostra a angústia e as dúvidas do personagem.

O filme foi baseado numa história real e o diretor afirmou em Cannes que "há muitas histórias como esta nas Filipinas e muitos filmes de humor sobre este tema".

"Nas Filipinas, o público vê isto como um passatempo. Por isso, eu quis tratar o tema de outra maneira, para mostrar que esta violência é real, que existe, que não é entretenimento", disse.

Com "Kinatay", Brillante Mendoza concorre pelo segundo ano consecutivo à Palma de Ouro do Festival de Cannes, que ano passado escolheu seu filme "Serbis".

mc/lm

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