A primeira forma de vida na Terra se desenvolveu em meio a temperaturas moderadas, antes de evoluir em um ambiente muito mais quente e, posteriormente, em um clima semelhante ao atual, segundo um estudo científico que será divulgado na edição desta quinta-feira da revista britânica Nature.

O ancestral comum a todas as espécies, um organismo constituído por uma única célula e que viveu há cerca de 3,5 bilhões de anos, evoluiu em uma temperatura de 50 graus Celsius, que chegou a 70 graus antes de voltar a cair, concluiu uma equipe franco-canadense coordenada por Manolo Gouy, do Centro Nacional de Pesquisas Científicas da França, da Universidade de Lyon.

Os pesquisadores elaboraram um novo método de análise, baseado em termômetros moleculares, das características dos organismos unicelulares procariontes (bactérias), segundo a temperatura ambiente em que vivem.

"A reconstrução destas características para os organismos ancestrais permite estimar a temperatura na qual viviam há bilhões de anos", explicou Gouy em um comunicado.

Assim, "a vida se diversificou em temperaturas moderadas, depois se adaptou a ambientes muito mais quentes (cerca de 70°C) e terminou por aclimatar-se de forma prograssiva a temperaturas gradualmente descrecentes, até os dias de hoje", indicou.

Estudos anteriores, baseados na análise de fósseis, haviam concluído que o ancestral comum a todas as espécies se desenvolveu em temperaturas elevadas.

O exame do ácido ribonucleico (RNA), realizado pela equipe franco-canadense, mostra, ao contrário, uma evolução do mercúrio, com três etapas.

As últimas pesquisas confirmam, por outro lado, que a tolerância das bactérias "às altas temperaturas diminuiu gradualmente ao longo dos últimos 3,5 bilhões de anos", de 69 graus para uma média de 30 graus Celsius.

gcv/ap

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