A vida na estrada pintada por Bob Dylan

Emilia Pérez Londres, 10 jun (EFE).- Intermináveis trilhos de trem, quartos de hotel vazios e caras anônimas de pessoas encontradas durante suas viagens: a vida na estrada é o foco das pinturas de Bob Dylan, que serão expostas a partir de sábado em Londres.

EFE |

Até o final de julho, a Galeria Halcyon exibe 93 trabalhos originais do veterano compositor e intérprete americano, outra vertente criativa de um artista produtivo e de muitas faces que sempre parece estar embarcado em alguma viagem.

Um artista que, ao longo de 46 anos de carreira, gravou mais de 44 discos, escreveu mais de 500 canções, vendeu mais de 110 milhões de álbuns e inspirou grupos como os Rolling Stones e Guns N'Roses, mas que também se destacou como escritor e diretor de cinema.

Os quadros, agora expostos em Londres, foram criados em 2007 pelo autor da música "Blowin' in the Wind" a partir de desenhos e esboços feitos em suas turnês entre 1989 e 1992 por América, Europa e Ásia.

Obras que foram recuperadas por Dylan e sobre as quais ele trabalhou com distintas técnicas, com guache, aquarela e lápis, como se estivesse fazendo versões de canções antigas.

O resultado, uma série conhecida como "The Drawn Blank", são pinturas de cores vibrantes, algo que, como destaca a curadora da exposição, Kate Anderson, contrasta com a primeira imagem que vem à cabeça quando se pensa no cantor, vestido sobriamente de negro.

Em entrevista à Agência Efe, Anderson disse que a exposição mostra como Dylan é também nesse setor da arte, um artista fértil, que "enfrenta as artes visuais da mesma forma como suas outras facetas criativas".

Trilhos de trem, bares de estradas, motéis, cenas urbanas e rurais, algumas vistas do quarto do hotel, são elementos que servem para documentar a vida do artista durante uma viagem, em momentos que vão desde a animação do dia a dia à sensação de solidão da noite.

Mas são também um eco dos temas e as imagens que aparecem em suas músicas.

"As pinturas são imagens de objetos ou de pessoas (...) com que Dylan se encontra em seu caminho e que por qualquer motivo chamaram sua atenção", explicou Anderson.

Um exemplo é Cassandra, uma misteriosa mulher que Dylan pintou com o peito desnudo, com diferentes cores, assim como "The Woman in Red Lion Pub" ou "The portrait of Woman Smiling".

As mulheres têm um grande destaque nas pinturas de Dylan, nascido em 1941, e que costuma explorar diferentes enfoques de uma mesma situação, com variações de cores, como nos céus de seus conhecidos "Train Tracks" ou na roupas vestidas pelas duas protagonistas de "Two Sisters".

Modelos que, certamente, posaram separadamente para o artista, que depois, optou por reuni-las em um mesmo retrato.

Além dos 93 trabalhos originais, nos quais a curadora da exposição encontra influências desde pintores impressionistas como Edgar Degas até David Hockney, a mostra reúne 29 gravuras de edição limitada e assinadas por Dylan.

A exposição de trabalhos da série "The Drawn Blank" é a mais extensa e autorizada coleção de pinturas do cantor americano já reunida até o momento, conforme destacaram os responsáveis da galeria de arte, situada no seleto bairro londrino de Mayfair.

E o objetivo é que, após Londres, os quadros saiam em viagem, assim como seu autor. EFE ep/rr

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