A um dia da eleição, candidatos acirram discursos no Chile

A um dia das eleições no Chile, os dois candidatos à Presidência da República trocam provocações e tentam marcar suas diferenças. O governista e ex-presidente Eduardo Frei-Ruiz (Concertación), candidato de centro-esquerda, abandonou o estilo fleumático e reagiu às críticas de seu adversário, o oposicionista Miguel Sebastián Piñera (Alianza), de centro-direita.

Agência Brasil |

Reuters
Soldado vigia escola que será usada nas eleições

Soldado vigia escola que será usada nas eleições

Piñera apelou para que os correligionários de Frei tentem viver uma vida normal e aceitar a derrota. "Os amigos da Concertación fariam muito bem se depois de 20 anos [tempo que a coligação governista está no poder] vivessem uma vida normal e comum, como milhares de chilenos."

Ao reagir, Frei sugeriu que o adversário tivesse mais humildade e aproveitasse para tomar um tranquilizante. "Recomendo ao candidato da direita um Armonyl [medicamento tranquilizante] que não saia insultando. Muita prepotência e arrogância não são bons", afirmou.

Ambos reconhecem que as eleições de domingo (17) serão bastante disputadas, e cada voto fará diferença. "A diferença vai ser muito estreita e cada voto conta", disse Frei. "Vamos ganhar de forma clara e categórica."   

Às vésperas das eleições, Piñera e Frei trabalham para evitar que o desânimo e a descrença do eleitorado se concretizem em votos em branco ou nulo. O esforço se deve ao fato de ambos manterem uma diferencial percentual mínima, segundo pesquisas recentes de intenções de voto. Pelos últimos dados, Piñera teria 50,9% dos votos e Frei ficaria com 49,1%.

O objetivo dos dois candidatos é mostrar que são diferentes na essência e na prática. Para o embaixador do Brasil no Chile, Mario Vilalva, os chilenos ultrapassaram o debate sobre esquerda e direita. Na opinião dele, isso ocorreu porque houve um "deslocamento" das forças políticas numa mesma direção ¿ o centro.

"Nos últimos 20 anos [desde a redemocratização do país] o voto tanto da esquerda como da direita se deslocou mais para o centro. Este tem sido o perfil dos políticos. Agora há dois candidatos, um apontado como de direita e outro de esquerda que são mais de centro", afirmou.

No domingo, entre 7h e 16h, cerca de 9 milhões de chilenos, com mais de 18 anos, irão às urnas em nove regiões políticas distintas do país. A expectativa é que, já no começo da noite de domingo, seja revelado o resultado das eleições.

No Chile, homens e mulheres votam em zonas eleitorais separadas. É uma tradição no país, segundo os especialistas. Os eleitores votam em cédula de papel e geralmente utilizando lápis e não caneta.

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