A SEC investigou irregularidades sobre Bernard Madoff em 2006

Os inspetores da agência que regulamenta as atividades na Bolsa americana investigaram irregularidades que envolviam o gestor Bernard Madoff em 2006, mas descartaram a possibilidade de fraude, informou o Wall Street Journal nesta quinta-feira.

AFP |

"Os inspetores da Securities and Exchange Commission (SEC) descobriram em 2006 que Bernard Madoff havia enganhado a agência sobre a maneira como administrava o dinheiro dos clientes, mas a SEC desperdiçou a chance de descobrir a gigantesca fraude montada pelo investidor", afirma o WSJ.

O jornal teve acesso a mensagens eletrônicas e documentos de um investidor concorrente, Harry Markopolos, trocados com a SEC durante vários anos.

"Quando começou a se interessar pelo rendimento dos investimentos de Madoff no fim de 1999, Markopolos disse a um colega da época: 'Isto não faz sentido. Isto deve ser um esquema Ponzi'", conta o WSJ.

Com base nas acusações de Markopolos, a SEC abriu em 4 de janeiro de 2006 uma investigação sobre a empresa de Madoff, examinando documentos do investidor. A agência também interrogou Madoff, assim como um auxiliar e um diretor da administradora de ativos Fairfield Greenwich Group, um de seus clientes e mais tarde a mais importante vítima da fraude.

A SEC descobriu irregularidades, mas encerrou a investigação por considerar que as mesmas não eram suficientemente graves para determinar uma ação judicial, destaca o jornal econômico.

Acusado de uma gigantesca fraude de 50 bilhões de dólares, Bernard Madoff foi detido semana passada e se encontra em prisão domiciliar.

A SEC anunciou na noite de terça-feira que fará uma investigação interna para determinar como a gigantesca fraude de Bernard Madoff não foi detectada antes, apesar das "repetidas" advertências.

"A comissão tem conhecimento de que denúncias confiáveis e precisas alertando sobre a fraude de Madoff foram entregues ao pessoal da SEC de maneira repetida desde 1999", admitiu o presidente do órgão, Christopher Cox, que qualificou a situação de "profundamente inquietante".

"Determinei um estudo completo e imediato das denúncias envolvendo Madoff e sua empresa e por que motivo não foram consideradas criveis" pelo pessoal da SEC.

Cox classificou a situação como profundamente preocupante.

A investigação vai se concentrar no funcionamento interno da SEC, com o objetivo de determinar se as regras vigentes foram aplicadas ou se devem ocorrer modificações.

Também será preciso determinar se os contatos entre o pessoal da SEC e a empresa ou a família de Madoff interferiram nas decisões tomadas pelo órgão.

O Wall Street Journal já havia revelado no final de semana passado que a SEC investigou Madoff em várias ocasiões a partir de 1992, sem identificar indícios da fraude bilionária.

Desde 2001, a MAR/Hedge, uma publicação especializada em fundos de investimentos, questionava como os investimentos de Madoff podiam manter "tal regularidade e tal falta de volatilidade".

A publicação também criticava a falta de transparência na gestão e o modo arrogante de Madoff ignorar as perguntas de seus jornalistas.

Além disso, o Wall Street Journal informou nesta quarta-feira que a SEC está analisando a relação de uma sobrinha de Bernard Madoff com um ex-inspetor da entidade reguladora.

"A Securities and Exchange Commission vai examinar a relação entre um ex-diretor da agência e uma sobrinha do financista Bernard Madoff", escreveu o jornal econômico.

O inspetor geral da SEC encarregado da investigação, David Kotz, indicou em entrevista ao Wall Street Journal que tinha "a intenção de examinar a relação entre a sobrinha de Madoff e o senhor Swanson".

Eric Swanson trabalhou para a SEC durante dez anos, entre outras coisas supervisionando programas de inspeção. Ele deixou a agência em 2006, o mesmo ano em que teria começado a sair com Shana Madoff, com quem se casou em 2007.

gmo/fp/cn

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