Em 25 de julho de 1978, o nascimento de Louise Brown, o primeiro bebê de proveta, foi capa de todos os jornais do mundo, mas a britânica, hoje casada e mãe de um menino, quer comemorar seus 30 anos na sexta-feira com toda discrição.

Entretanto, Louise Brown, que leva uma vida comum junto a seu marido Wesley Mullinder e seu filho, Cameron, de 18 meses, em Bristol (sudeste), onde trabalha numa empresa de transporte, ainda chama a atenção do público.

Apesar de seu nascimento ter revolucionado os tratamentos de esterilidade, permitindo que milhões de casais no mundo procriassem por fecundação in vitro (FIV), ela não tem vontade de comemorar o aniversário com uma festa ostensiva.

"Não penso nisso como se fosse realmente meu 30º aniversário", explicou. "É como se fosse um aniversário a mais. Pode ser que eu saia com alguns amigos ou jante com minha família. Mas será tranqüilo", disse.

Louise Joy Brown nasceu de cesárea no hospital de Oldham, a noroeste da Inglaterra, com 2,610 kg.

Os pais da menina, Lesley e John Brown, por nove anos se esforçaram para ter um bebê, mas todas as tentativas fracassavam porque as trompas de falópio da mãe estavam obstruídas. Foi então que ouviram falar do trabalho de dois médicos da Universidade de Cambridge, o fisiologista Robert Edwards e o ginecologista Patrick Steptoe, que vinham tentando havia quase dez anos aperfeiçoar a técnica da fecundação in vitro.

Os dois pesquisadores reuniram em uma proveta o óvulo e os espermatozóides de Lesley e John Brown, formando um embrião que foi posteriormente reimplantado no útero materno do qual nasceu a primeira "menina de proveta".

Louise Brown não soube como havia nascido até os quatro anos de idade, justo antes de entrar na escola.

"Papai e mamãe me mostraram o vídeo de meu nascimento e tentaram me explicar", lembrou.

"Acredito que era o momento porque, se os colegas da escola soubessem, poderiam ser muito cruéis", comentou.

"Na verdade as crianças pareciam querer me perguntar coisas do tipo: como você agüentou ficar na proveta? ou coisas do gênero", disse.

Ela afirmou insistentemente que viveu uma infância "normal, parecida com a de qualquer outra criança".

Louise já não era a única, nem mesmo na própria família, porque sua irmã Natalie também nasceu de uma FIV, quatro anos mais tarde, e foi o bebê de número 40 no mundo a ser concebido desta maneira.

Natalie Brown se tornou em 1999 a primeira menina de proveta a dar luz, de parto normal, a um menino.

Louise não demorou a imitar sua irmã. Após se casar com Mullinder, um segurança, em 2004, teve Cameron em 2006, também sem ajuda científica.

Robert Edwards, um de seus dois pais científicos, ficou amigo da família Brown e até participou do casamento de Louise. Patrick Steptoe morreu em 1988.

Louise e Robert se encontraram há alguns dias numa cerimônia que comemorou os 30 anos da fecundação in vitro na Clínica Bourn Hall, um centro médico a leste da Inglaterra fundado por Edwards e Steptoe.

"Bob (Edwards) sempre está muito ocupado, mas ficamos encantados de vê-lo", disse Louise Brown, sorridente. "Eu fico muito feliz de ter uma relação muito estreita com ele. Ele é como um avô para mim", declarou.

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