Depois de duas semanas de negociações, um acordo a ser fechado nesta sexta-feira, o último dia da reunião das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, em Copenhague, continua distante, mas lentamente o texto de uma declaração final - provisoriamente batizada de Copenhagen Accord (Acordo de Copenhague, em inglês) - começa a tomar forma. Reunidos desde quinta-feira à noite, negociadores já produziram - e rejeitaram - pelo menos três versões de um documento a ser assinado pelos líderes e representantes de 192 países que participam do encontro.

O último esboço, divulgado no fim da tarde, trouxe pela primeira vez uma menção à um limite do aumento médio da temperatura global a 1,5ºC a partir de 2016.

Como ponto de partida, no entanto, o documento citava anteriormente a recomendação do Painel Intergovernamental para Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês) de limitar o aumento de temperatura a 2ºC.

Valor legal
O rascunho também introduz uma meta de médio prazo, para 2050, de redução de 50% das emissões globais.

Por outro lado, ele abandona qualquer previsão de data para assinatura de um acordo obrigatório com valor legal. Em versões anteriores, o ano de 2010 vinha sendo citado.

As metas globais para 2020 para países desenvolvidos, um dos maiores obstáculos, continua em aberto nos documentos.

No parágrafo dedicado às ações de mitigação (redução de emissões) dos países em desenvolvimento, existe a previsão de que essas iniciativas ficarão sujeitas ao monitoramento, verificação e reportagem domésticos.

Países em desenvolvimento como Brasil e China vêm insistindo que as medidas de avaliação das ações de combate às emissões domésticas não devem interferir na soberania dos países.

Obama
Os discursos de líderes da China, da Europa e dos Estados Unidos nesta sexta-feira não apresentaram qualquer nova oferta às negociações.

Para muitos, principalmente o discurso do presidente americano, Barack Obama, foi o mais frustrante.

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Na semana passada, o próprio ministro do Meio Ambiente da Suécia, Andreas Carlgren, representante da União Europeia (o país ocupa a Presidência rotativa do bloco) disse esperar que Obama traria novidades à mesa de negociações.

"Vou ficar um pouco chocado se o Obama só repetir o plano que já foi anunciado aqui", disse Carlgren.

Ministros continuam reunidos no Bella Center, sem previsões para concluir os trabalhos. A China, no entanto, não participou de parte das reuniões na tarde desta sexta-feira.

"A China ainda está decidindo se participa, mas vai conversar com Obama", disse o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown.

Brasil
O líder disse ainda que ainda há grandes questões pendentes, mas acrescentou que elas não devem impedir um acordo.

A primeira versão de acordo a ser rejeitada nesta sexta-feira foi produzida por cerca de 30 países que se encontraram na quinta-feira à noite, a convite da União Europeia e do presidente Lula.

O documento, baseado nas propostas anunciadas em novembro por Lula e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, foi criticado por países que não participaram do encontro.

A reunião de Copenhague deveria ser concluída nesta sexta-feira, mas ainda não há qualquer previsão de quando os trabalhos poderiam ser encerrados.

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