A magia da Polaroid vai voltar em 2010

Luis Lidón. Viena, 3 ago (EFE).- A câmera Polaroid foi um dos ícones do século XX: suas fotos instantâneas com borda branca foram um fetiche de artistas e fãs da fotografia, e tudo parecia acabado com a revolução digital, mas um grupo de abnegados tem um projeto para trazê-la de volta à vida.

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Em junho de 2008 os filmes da lendária máquina de fotos deixaram de ser fabricados. Muitos fãs peregrinaram de loja em loja à caça de algum que tenha restado em um estoque esquecido. Em breve não terão mais que fazer isso, pois no começo do ano que vem poderão comprar novos carretéis para suas Polaroids.

"A ideia é que não haja nenhum espaço vazio entre o fim dos estoques no começo do ano de 2010 e o novo filme para as câmeras", disse em Viena à Agência Efe Florian Kaps, impulsionador de The Impossible Project (O projeto impossível), um nome-chave que revela as incertezas iniciais.

O lema também é uma homenagem ao inventor do filme Polaroid, Edwin Land, e a uma de suas famosas frases: "Não comece um projeto até que seja manifestamente importante e quase impossível".

A ideia surgiu no mesmo dia do fechamento da fábrica de filmes da marca em Enschede (Holanda). Kaps, de 39 anos, era um dos convidados para o fechamento porque administrava a polanoid.net, a maior comunidade virtual de fãs desse tipo de fotografia.

Ali encontrou André Bosman, até então um dos executivos da empresa, e em breve outra dezena de trabalhadores da Polaroid embarcou no desafio de inventar um produto que tivesse as mesmas características da Polaroid.

O novo filme ainda não tem nome, já que o da marca americana não pode ser utilizado por razões de direitos autorais, mas manterá suas características: sua borda branca, o cheiro químico característico, as cores borradas e o minuto de espera até que as imagens se revelem pouco a pouco.

O projeto contou com um capital inicial de cerca de três milhões de euros e, apesar das incertezas, cumpriu-se o objetivo proposto de lançar o filme no ano que vem. Primeiro será um carretel em preto e branco, e depois virá o colorido.

"Há muitas pessoas jovens que estão descobrindo as Polaroids e a fotografia analógica. As pessoas descobriram que o digital não é tudo. Por exemplo, o disco de vinil com seu som característico tem mais encantamento", sustenta Kaps, ao explicar que há um movimento "retrô" que se rebela contra o mundo digital.

"O povo faz agora milhares de fotografias, muitas sem sentido, e se desengana. A fotografia analógica é algo especial, uma criação única, é um momento que o fotógrafo deve escolher com cuidado para deixar algo para a lembrança", acrescenta sobre o auge analógico.

Este tipo de fotografia já não é somente um reduto de nostálgicos; o perfil do usuário é uma pessoa de entre 24 e 47 anos, com uma educação e um nível de renda elevados, criativos e bem integrados no mundo digital, segundo os dados de Kaps dos mais de 16 mil usuários da polanoid.net.

Mas, além do argumento romântico de lutar para que não desapareça este tipo de fotografia instantânea, existe um claro e reconhecido componente comercial nos esforços.

"Nossa intenção é produzir e vender no ano que vem um milhão de filmes, a demanda segundo nossos cálculos e os originais de Polaroid são de 10 milhões de carretéis ao ano", diz.

Desde a aparição da primeira câmera instantânea em 1948 foram vendidas cerca de um bilhão de exemplares - o modelo mais famoso é a mítica SX-70 - das quais entre 300 e 500 milhões ainda podem funcionar.

Kaps encontrou um enorme nicho de mercado com uma demanda garantida para um produto do qual se carecia de provisão. Apesar de a câmera ter passado de ser um produto de massas para um objeto de culto com um círculo de usuários mais reduzidos, o negócio está quase garantido.

E os preços dos novos carretéis não serão mais baratos que os anteriores. Um com 10 fotos custará cerca de 20 euros. Além disso, no ano que vem os empreendedores planejam colocar no mercado uma nova câmera com ajustes manuais. EFE ll/ma

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