A liderança da direita italiana se apresenta em Roma

A liderança da direita italiana, presidida por Silvio Berlusconi, Gianfranco Fini e Umberto Bossi, vencedora das eleições realizadas no último domingo e na segunda-feira, compareceu nesta quarta-feira ante a imprensa, em Roma, para falar sobre o futuro da Itália.

AFP |

"Será uma equipe de 60 pessoas, entre ministros, vice-ministros e subsecretários", avisou com notável satisfação Berlusconi, sentado a uma mesa de conferência instalada em uma pequena e elegante sala na entrada de sua residência privada na capital, a Vila Grazioli.

Ante o enorme grupo de repórteres, cinegrafistas e jornalistas de todos os meios de comunicação, os três líderes, acompanhados pelo siciliano Raffaele Lombardo, do movimento pela autonomia da Sicília, outro vencedor dessas eleições, com 65% dos votos na região, tentaram passar uma imagem coerente, unida e estável ainda que a previsão fosse de "tempos difíceis" para os italianos.

"Para nós regatar o país será uma tarefa que virá do coração, mas para alcançar nossos objetivos precisamos adotar medidas impopulares", admitiu Berlusconi.

Enfim, "cortaremos os privilégios na administração pública", resumiu, sem dar mais detalhes.

A presença quase silenciosa de Bossi, braço-direito do futuro governo, confirma que o programa selado com o aliado será cumprido.

"Vamos realizar as reformas que anunciamos. O povo nos elegeu para isso. O federalismo fiscal será adotado", afirmou Berlusconi.

O recém-eleito primeiro-ministro, que duplicou seu número de eleitores, conquistou três milhões de votos nessas eleições, "roubando" inclusive o apoio de trabalhadores comunistas de zonas tradicionalmente "vermelhas" como a Emilia Romagna, onde alcançou um histórico resultado de 7%, é conhecido por seu estilo simples e franco e por um programa político à sua imagem e semelhança.

"Chega de impostos, chega de centralismo em Roma, defende o seu e fora os imigrantes clandestinos" é seu lema.

Na véspera, em sua primeira entrevista à imprensa após a vitória, Berlusconi se apressou a ratificar a temida lei sobre a imigração Bossi-Fini, adotada em 2002 durante seu segundo governo.

"Uma das primeiras coisas a fazer é fechar as fronteiras e estabelecer mais campos para identificar cidadãos estrangeiros que não têm empregos e são forçados a uma vida de crime, e devolve-los a seus países de origem", anunciou o futuro chefe de governo.

Para honrar seu estilo simpático e descontraído, Berlusconi brincou com a platéia. "Amo a Itália, viajo pela Alitália, esse é o último slogan que eu inventei", disse, mas se negou a divulgar os nomes dos integrantes de seu futuro gabinete "em respeito às instituições".

"Demoraremos em definir a lista, até lá não faremos nada", comentou Bossi, dando a entender que nem tudo será tão simples como parece.

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