A guerrilha colombiana que sobreviveu à guerra fria

A história das Farc, a mais poderosa das organizações guerrilheiras que subsistiram na América Latina, como herança da guerra fria, está estreitamente ligada à de seu comandante máximo Manuel Marulanda (Tirofijo), que teve a morte anunciada por Bogotá neste sábado.

AFP |

Com cerca de 17.000 homens em armas e 60 frentes, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) mantêm importante presença no sudeste da Colômbia, embora desde 2002, quando Alvaro Uribe chegou à presidência, prometendo a derrota militar dos rebeldes, anunciaram um "recuo tático".

As Farc fixam seu nascimento em 27 de maio de 1964, quando o governo colombiano bombardeou a chamada "República Independente de Marquetalia" estabelecida por um grupo de camponeses, orientados pelo partido Comunista, num altiplano da cordilheira dos Andes.

Obrigados a fugir, 48 homens e mulheres, à frente dos quais estava Marulanda, constituíram uma defesa camponesa que foi se estendendo paulatinamente ao longo das zonas de colonização do leste da Colômbia.

Desde então, as Farc sobreviveram a 12 presidentes, entre eles Andrés Pastrana (1998-2002), que durante três anos tentou um processo de negociação com os rebeldes até que estes multiplicaram s seqüestros de políticos para pressionar uma troca por seus companheiros presos.

As Farc mantêm em seu poder pelo menos 39 reféns, entre eles a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt (também com nacionalidade francesa) e três americanos, aos quais propõem trocar por 500 rebeldes presos.

Depois da queda do muro de Berlim, em 1989, as principais guerrilhas colombianas como o M-19 (esquerda nacionalista) e o Exército Popular de Libertação (ex-maoísta), entregaram as armas.

Mas as Farc e o Exército de Libertação Nacional negaram-se a se desmobilizar alegando que subsistem condições de miséria que afetam quase a metade dos colombianos.

Sua presença é particularmente forte em territórios de selva do sul e sudeste da Colômbia, que coincidem com as principais zonas de produção de cocaína, da qual - segundo Bogotá e Washington - os rebeldes obtêm parte de seu financiamento.

bur-hov/sd

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