A estratégica região boliviana de Tarija prepara-se para o referendo

O departamento boliviano de Tarija, na fronteira com a Argentina e Paraguai e onde se realiza domingo um referendo autonômico, é considerado estratégico por possuir 85% das reservas de gás natural do país, a principal fonte de riqueza da Bolívia.

AFP |

Tarija, com mais de 400.000 habitantes (5% do total da Bolívia), possui 85% das reservas de gás, estimadas em 1,36 bilhão de metros cúbicos, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas.

O departamento, dirigido pelo prefeito de direita Mario Cossío, corresponde a 12,8% ao PIB com um total de 14 bilhões de dólares, e para o fisco constitui a principal fonte de renda desde a nacionalização dos hidrocarbonetos, decretada em maio de 2006 pelo presidente Evo Morales.

As exportações de gás natural, principalmente para o Brasil (30 milhões de m3 diários) e Argentina (1,4 milhão de m3 por dia), o que significa para o fisco um ingresso anual de 2,3 bilhões de dólares - tem servido para o governo fortalecer a estatal petroleira YPFB e pagar bônus anuais aos idosos e as crianças com idade escolar.

Tarija realiza domingo, um referendo para aprovar um estatuto de governo autônomo que lhe permitirá, junto às regiões rebeldes de Santa Cruz, Beni e Pando, formar uma forte oposição ao presidente Morales, que considera os governos autônomos ilegais e separatistas.

O presidente do Tribunal Eleitoral de Tarija, Miguel Guzman - que está trabalhando em seu posto, apesar da oposição da Corte Nacional, que não avalia o referendo -, afirmou que está "tudo pronto para a abertura das urnas às 07h00 de domingo (8h00 de Brasília)".

O referendo é considerado ilegal pelo governo de Morales, que não irá reconhecer o resultado da consulta.

Cerca de 10.000 pessoas encerram na noite de quinta-feira a campanha pelo "Sim", uma cifra inferior aos 100.000 anunciados pelas autoridades; o prefeito Mario Cossío, que aspira ao título do governador, anunciou que a próxima meta é a de ampliar a autonomia para todo o país.

O processo de consulta, que irá reunir 173.000 eleitores, ocorrerá em meio a um tenso ambiente político, marcado por fortes dissidências na região do Grande Chaco de Tarija, - onde estão localizadas as mais importantes reservas de gás do país - com os líderes que convocaram o referendo.

A confrontação interna começou depois que a população do Grande Chaco elegeu uma autoridade que a prefeitura de Tarija- que impulsiona a autonomia - se recusa a reconhecer, alegando ilegalidade, com o mesmo argumento com o governo deslegitima os referendos nas regiões rebeldes.

De acordo com todas as previsões, será na região do Grande Chaco que os grupos civis e camponeses tentarão evitar pela força a abertura das urnas.

Na cidade de Tarija, onde quase 88.000 pessoas estão aptas para votar, as ruas estão marcadas pelas bandeiras vermelho e branca, as cores locais, colocadas pela prefeitura, enquanto os moradores aguardam calmamente e quase com indiferença a votação de domingo.

Diante das pesquisas indicando grande abstenção, o prefeito de Tarija, Oscar Montes, apelou aos cidadãos para irem às urnas e "não ficarem em casa usando a desculpa da frente fria que está chegando" e que, de acordo com as previsões meteorológicas, vai fazer os termômetros despencarem.

As pesquisas anteriores indicavam a vitória do 'sim' e uma elevada abstenção, enquanto o prefeito Cossío espera ter 80% de adesão ao estatuto autonômico.

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