Adriana Flores-Bórquez. Atenas, 1 mai (EFE).

Adriana Flores-Bórquez. Atenas, 1 mai (EFE).- Com confrontos entre a Polícia e pequenos grupos de radicais, a Grécia viveu hoje um 1º de Maio tenso, marcado também pela apreensão sobre o anúncio, previsto para o domingo, de um apertado plano de austeridade do Governo. Atenas negocia há quase duas semanas um programa de consolidação fiscal trienal com o Fundo Monetário Internacional (FMI), a Comissão Europeia (órgão executivo da UE) e o Banco Central Europeu (BCE), uma condição para que tenha acesso aos fundos internacionais de até 135 bilhões de euros que prometem salvar o país da quebra. Para reduzir o déficit federal, que em 2009 chegou a 13,6% do Produto Interno Bruto (PIB), para menos de 3% até 2013, o Governo socialista cortará os salários dos funcionários públicos, aumentará os impostos, interromperá as contratações e congelará os salários no setor privado. As últimas negociações com os especialistas internacionais pretendem terminar hoje, segundo funcionários do Governo, para apresentar as medidas no domingo, num Conselho de Ministros extraordinário. Depois, o ministro das Finanças grego, Giorgos Papaconstantinou, anunciará as medidas à imprensa, antes de viajar para Bruxelas para a reunião com ministros dos países do euro. A apresentação das medidas, que preveem uma economia de até 24 bilhões de euros, se produziria horas antes da reunião extraordinária dos 16 ministros de Finanças da zona do euro, que visa a analisar o plano de ajuste e a eventual ativação da ajuda financeira internacional prometida em troca. É a primeira vez nos 11 anos de história da moeda única europeia que um dos membros precisa ser salvo da quebra por sua incapacidade de refinanciar a própria dívida nos mercados internacionais. Sabedores das implicações do plano de austeridade, cujo cumprimento seria supervisionado pelo FMI, cerca de 20 mil manifestantes foram à convocação dos principais sindicatos gregos em Atenas para mostrar sua rejeição às medidas. "Tememos que trarão uma explosão social, a recessão e uma estagnação da economia", advertiu à Agência Efe Ilias Iliópulos, secretário-geral do maior sindicato de empregados públicos, o Adedy. Os sindicatos utilizaram o 1º de Maio como um ensaio para a greve geral da próxima quarta-feira, quando já se saberá quais são as medidas exatas que o Governo pretende aplicar. Apesar do caráter pacífico majoritário dos protestos, a Polícia teve que usar várias vezes gás lacrimogêneo em Atenas e Salônica contra pequenos grupos radicais. Os manifestantes mais violentos destruíram vitrines e atacaram policiais com pedras e coquetéis molotov. Os cortes podem aumentar o conflito social e a maioria culpa por isso o FMI. Uma pesquisa divulgada pelo diário local "To Vima" aponta que 42% dos entrevistados são contra a entrada do organismo multilateral na Grécia. De fato, alguns dos manifestantes levavam cartazes hoje contra o Fundo, com palavras como "Fora Junta do FMI!", em alusão à ditadura militar vivida na Grécia entre 1967 e 1974. Mesmo assim, 66,8% estão convencidos, segundo a pesquisa, de que os responsáveis pela situação são os próprios gregos e não os especuladores nos mercados internacionais. Outros 39% estão a favor de que se reduza o número de funcionários públicos, e 89% recomendam que a crise econômica sirva como uma oportunidade para mudar a classe política. O programa de economia trienal será apresentado no Parlamento grego, possivelmente na quarta-feira, para aprovação. O trâmite coincidirá com a greve geral. EFE afb/rr

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