À espera de exercício dos EUA, China exibe força militar

EUA e Coreia do Sul preparam manobra naval para alertar o Norte e China responde com atividades no Mar Oriental

Reuters |

A China exibiu seu crescente poderio militar em manobras navais na sua costa, coincidindo com preparativos dos EUA e da Coreia do Sul para realizar exercícios criticados por Pequim.

A TV estatal chinesa transmitiu na terça-feira imagens que disse serem de recentes manobras da Frota do Mar Oriental, inclusive com a presença de helicópteros e com um submarino lançando um míssil de longo alcance embaixo d'água.

A emissora não disse exatamente quando e onde as imagens foram feitas, e não ficou claro se elas mostravam o mesmo exercício que a agência estatal de notícias Xinhua disse ter ocorrido no fim de semana.

Segundo a Xinhua, quatro helicópteros e quatro navios de resgate foram mobilizados em dois dias de atividades no Mar Amarelo, onde EUA e Coreia do Sul planejam realizar manobras destinadas a passar um alerta dissuasivo à Coreia do Norte. Muitos chineses, no entanto, consideram que esses exercícios ameaçam o seu país.

Zhu Chenghu, professor de estudos estratégicos na Universidade Nacional de Defesa, disse à agência China News Service que o exercício EUA-Coreia do Sul tem como alvo tanto Pequim quanto Pyongyang.

"Eles vão acontecer no Mar Amarelo, que é o ponto de entrada para a casa da China, e eles obviamente querem demonstrar poderio militar", disse ele.

O secretário norte-americano de Defesa, Robert Gates, minimizou tais preocupações na terça-feira, dizendo que os exercícios são rotineiros. Também a China procurou reduzir a importância das suas próprias manobras. "A natureza do exercício é muito diferente da ação militar conjunta EUA-República da Coreia", disse ao jornal China Daily o analista militar Peng Guangqian.

De acordo com a Xinhua, a ênfase do exercício chinês foi na defesa contra ataques de longa distância e na integração entre soldados e civis no caso de emergência. Os exercícios militares coincidem com um momento de tensão elevada na região, depois do naufrágio, em março, de uma corveta sul-coreana, com 46 marinheiros mortos.

Uma investigação feita por Seul com ajuda de especialistas internacionais atribuiu o naufrágio à Coreia do Norte, que no entanto negou a acusação. A China, aliada dos norte-coreanos, tampouco reconheceu o resultado da investigação.

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