À espera de Biden, desarmamento nuclear abre a Conferência de Segurança

O grande encontro mundial anual sobre segurança, que deve ser marcado no sábado pelo primeiro discurso importante de polítca externa da nova administração americana, começou nesta sexta-feira na Alemanha pelo debate sobre as armas nucleares.

AFP |

Neste e em outros temas (Afeganistão, Oriente Médio e segurança energética) que serão abordados até domingo pelos quase 300 participantes da 45ª Conferência de Munique (sul), as discussões devem refletir o caráter crucial das relações do trio EUA-Rússia-Irã.

Os dois mestres de cerimônia, o ex-secretário de Estado americano, Henry Kissinger, partidário de um desarmamento nuclear integral, e o chefe da diplomacia alemão, Frank-Walter Steinmeier, devem lembrar que o novo presidente americano Barack Obama se mostrou disposto a negociar com os russos uma redução em massa do número de ogivas.

O gesto foi apreciado em Moscou, já que a precedente administração de George W. Bush havia se mostrado nitidamente mais reservada.

Mas a boa vontade manifestada por Washington não significa que as futuras negociações serão fáceis sobre uma redução ainda maior que a já prevista ( de 10.000 a 5.000/6.000 ogivas pelos dois países daqui até 2012) dos arsenais nucleares herdados da Guerra Fria.

O debate promete ser animado também porque contará com a presença do diretor-geral da Agência Internacional de energia atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei e o ex-negociador italiano sobre o nuclear, Ali Larijani, hoje presidente do Parlamento de um país sempre suspeito de realizar neste âmbito um programa militar.

Na quarta-feira, em Wiesbaden (oeste da Alemanha), as seis potências encarregadas da questão nuclear iraniana, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança mais a Alemanha, se concentraram sobre a atitude que terão com relação a Teerã.

Apesar das sanções internacionais que o visam, o Irã insiste em se recusar a responder Às questões da AIEA sobre as partes obscuras de seu programa atômico e interrompe o enriquecimento de urânio. Ela acaba além disso de lançar seu primeiro satélite, sinal de que suas capacidades balísticas estão melhorando.

Os participantes na reunião de Wiesbaden receberam favoravelmente a vontade da administração americana de iniciar discussões com o Irã, assim como manifestou o presidente Obama.

Para isso, Washington e seus aliados europeus não pretendem baixar a guarda.

A discussão com o Irã tem como pano de fundo o tratado de não-proliferação (TNP), sobre o qual Teerã afirma que não é respeitado pelas grandes potências, por falta de um compromisso definitivo com o desarmamento nuclear.

O ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, o senador John Kerry, presidente da comissão dos assuntos estrangeiros do Senado americano, e Mayankote K. Naranayan, conselheiro da segurança nacional da Índia, outra potência atômica militar em expansão, deve levar seus próprios argumentos ao debate.

Em seguida, o encontro terá a presença no sábado do vice-presidente dos EUA, Joseph Biden, que discursará sobre os assuntos internacionais, na presença do presidente francês, Nicolas Sarkozy, da chanceler alemã, Angela Merkel, e do primeiro vice-ministro russo, Sergueï Ivanov.

pm/lm

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