Marta Hurtado. Genebra, 19 mai (EFE).- A ONU e a indústria farmacêutica preparam hoje um plano para viabilizar a fabricação de uma vacina contra a gripe suína para o caso de a Organização Mundial da Saúde (OMS) decidir ser necessário.

"Sou consciente e aprecio o esforço que as indústrias farmacêuticas dos países desenvolvidos e em desenvolvimento fizeram tanto em pesquisa como em preparação tecnológica", afirmou em coletiva de imprensa o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon.

O secretário-geral presidiu hoje junto à diretora-geral da OMS, Margaret Chan, uma reunião com representantes de 30 farmacêuticas para coordenar a estratégia sobre a eventual fabricação de uma vacina contra a gripe.

Na reunião, que aconteceu em paralelo à assembleia da OMS, participaram executivos de farmacêuticas de Áustria, Bélgica, Brasil, China, Coreia, Egito, Estados Unidos, França, Reino Unido, Holanda, Índia, Indonésia, Irã, Japão, México, Romênia, Rússia, Suíça, e Vietnã.

No encontro não se determinou se a vacina vai ser fabricada ou não, uma vez que isso depende de fatores científicos a serem analisados pela OMS, mas sim que se discuta um plano de ação para criá-la.

Segundo a nova atualização feita hoje pela OMS, em caso de pandemia, seriam necessárias cinco bilhões de doses da nova vacina.

Embora Chan tenha explicado que esse é um número que pode variar, dado o tipo da vacina, a quantidade de doses necessárias dependerá do tipo do vírus e de seu comportamento, algo que ainda não se sabe com exatidão.

"Seguem muitas dúvidas científicas que nos impedem ter todas as respostas sobre a vacina", especificou Chan.

No entanto, para estar preparados para o caso de a OMS decidir que a vacina é necessária, as farmacêuticas já têm disponibilidade de obter o vírus selvagem da gripe.

A maioria, porém, esperará para obter dos laboratórios associados à OMS a cepa do vírus que é efetivamente manipulável e que permite a produção da vacina, um processo que pode demorar até 15 dias.

Posteriormente, se iniciaria o processo de fabricação, que poderá durar meses.

Na reunião de hoje, a Rede de Produtores de Vacinas dos Países em Desenvolvimento se comprometeu publicamente a entregar a preços quase de custo 10% de toda a produção da vacina contra a gripe, caso realmente comece a ser fabricada.

"Nos comprometemos a entregar às agências da ONU, ao menor custo possível, 10% de toda nossa produção de vacinas contra a gripe, se for necessário produzi-la", disse à Agência Efe Suresh Jadhav, porta-voz do grupo e diretor-executivo do Instituto Serum da Índia.

Consultada sobre o assunto e se os países desenvolvidos tinham expressado algum tipo de compromisso similar, Chan respondeu de forma ríspida.

"Cada companhia é diferente e tem estratégias distintas. Todas, tanto as dos países desenvolvidos como as dos países em desenvolvimento mostraram compromisso, não esperem que em uma reunião como essa possam falar uma a uma", comentou.

Por sua parte, o secretário-geral mostrou sua confiança em que os países mais pobres "não serão esquecidos".

"Espero que prevaleça a solidariedade com os países em desenvolvimento", afirmou Ban, que explicou que hoje se reunirá com os membros da iniciativa que pretende encontrar formas inovadoras para financiar a saúde pública mundial.

Atualmente, segundo os dados da OMS, no mundo há 9.830 infectados em 40 países, dos quais 79 morreram.

A OMS mantém o nível de alerta de pandemia em 5, em um máximo de 6, por considerar que ainda não se produziu largo contágio em outra região que não seja a das Américas.

Nesse sentido, Chan afirmou que apesar de o Governo do Japão suspeitar que já houve nesse país contágios do vírus dentro da comunidade, "não é incomum que ocorram alguns casos em que não se pode identificar um laço similar ou de contato direto". Segundo ela, "isso também ocorreu nos EUA e no Reino Unido".

Apesar do nome, a gripe suína não apresenta risco de infecção por ingestão de carne de porco e derivados. EFE mh/rr

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.