A Espanha ainda sob o choque

O difícil e doloroso processo de identificação de vítimas prosseguia a nesta quinta-feira numa Espanha ainda sob o choque, no dia seguinte ao acidente com um avião no aeroporto Barajas-Madri que fez 153 mortos e 19 feridos. O avião, um MD-82 da companhia espanhola Spanair em fase de decolagem, pegou fogo ao cair.

AFP |

Numerosas vítimas ficaram carbonizadas. Assim, médicos legistas vão precisar analisar o DNA dos familiares de 94 dos 153 mortos no acidente para poder identificá-los, informou o governo espanhol.

As equipes médicas trabalhavam desde a madrugada de quinta-feira no pavilhão 6 da instituição de feiras de Madri (IFEMA) para identificar as vítimas.

O processo está sendo efetuado de duas maneiras: através de impressões digitais e testes de DNA, explicou em entrevista à imprensa a vice-presidente do governo, María Teresa Fernández de la Vega.

As impressões digitais vão facilitar a identificação de "59 pessoas" o que não acontece com os demais, 94 falecidos, com identidade a ser confirmada mediante testes de DNA.

No avião viajavam 172 pessoas, entre elas 10 tripulantes e 22 crianças (duas eram bebês).

Durante o dia, testemunhos de compaixão e de solidariedade se multiplicaram na Espanha.

Cinco minutos de silêncio foram observados em meados da jornada por várias centenas de pessoas no centro de Madri, com o estabelecimento de três dias de luto na capital e regiões. As bandeiras amanheceram a meio pau.

À tarde, alguns caixões foram levados ao cemitério madrilenho de Almudena.

No arquipélago espanhol das Canárias, destino do vôo JK5022 acidentado, muitos aguardavam também os caixões: 79 canarinos estavam entre os mortos.

O Rei Juan Carlos e a Rainha Sofia foram ao Palácio do Congresso dar apoio às famílias e encorajar as equipes de apoio, enquanto o príncipe herdeiro Felipe e sua esposa Letizia estiveram junto à cabeceira dos feridos.

Das 19 pessoas internadas em seis hospitais da região de Madri, quatro estavam agora à noite em estado "muito grave" e sete em estado grave, segundo a direção regional de saúde.

Entre os mortos havia 18 passageiros estrangeiros de 11 nacionalidades diferentes, segundo a vice-presidente e porta-voz do governo, Maria Teresa Fernandez de la Vega.

O governo prometeu um grande trabalho de investigação, por parte de uma comissão especial.

A ministra da Infra-Estrutura, Magdalena Alvarez, informou, em relação ao acidente, que o avião "chegou a subir a 200 pés, cerca de 50 metros antes de cair", às 14H45 (12H45) GMT não longe da pista de decolagem.

As duas caixas-pretas com o relato do vôo devem começar a ser ouvidas, embora uma delas pareça estar destruída.

Olhares acusadores voltam-se para a Spanair, a segunda da Espanha, que passa por dificuldades e vem se defendendo das acusações de negligência.

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