A duas semanas para renunciar, Olmert segue negociando com Abbas

Daniela Brik. Jerusalém, 31 ago (EFE) - O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, e o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, analisaram hoje o processo de paz no Oriente Médio, na que, provavelmente, foi a última reunião entre ambos antes de Olmert deixar o poder, em meados de setembro. Esta foi mais uma das freqüentes reuniões que os dois líderes mantêm desde que se comprometeram a retomar o processo de paz na conferência de Annapolis (Estados Unidos), em novembro de 2007. Analistas políticos advertem de que, de acordo com os poucos resultados visíveis nas negociações, as divergências entre as partes persistem, e, às vésperas da renúncia de Olmert, não será possível alcançar o objetivo fixado de conseguir um acordo de paz antes de janeiro de 2009. O fato de o chefe do Executivo israelense, afetado por um escândalo de corrupção, ter anunciado que não concorrerá às primárias de seu partido, o Kadima, previstas para 17 de setembro, é atualmente o principal elemento de incerteza que pesa sobre o futuro das negociações. Apesar das informações que apontavam que Olmert apresentaria ao presidente da ANP uma proposta para conseguir um acordo de princípios antes de deixar o cargo, fontes oficiais israelenses negaram categoricamente a notícia. Os dois líderes reiteraram seu compromisso de seguir com a negociação para resolver os problemas vigentes e fazer avançar o diálogo. O objetivo continua sendo o firmado em Annapolis: cons...

EFE |

O jornal "Ha'aretz" tinha informado que Olmert pretendia convencer Abbas a aceitar um documento com os acordos feitos entre as partes para conseguir uma solução para ambos os Estados, postura que é rejeitada plenamente pela Autoridade Nacional Palestina.

"Estamos comprometidos com os esforços que são requeridos, não há atalhos, vias rápidas ou soluções mágicas", ressaltou o porta-voz de Olmert.

Tendo em vista que restam duas semanas para o primeiro-ministro no poder, acrescenta o jornal de Tel Aviv, Olmert fixou uma iniciativa para resolver o histórico conflito em cinco anos, e que deixa para segundo plano a solução ao problema de Jerusalém.

O plano incluiria, pela primeira vez, a aceitação de Israel da participação da comunidade internacional no processo - embora em nível consultivo -, a fim de apoiar as partes na hora de ajustar o estatuto de Jerusalém e seus lugares sagrados.

A proposta tenta impedir o isolamento da liderança palestina e o conseguinte colapso nas negociações pela oposição que poderiam mostrar países e grupos religiosos.

O chefe de negociações da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Saeb Erekat, disse em entrevista coletiva em Ramala após a reunião que os dois líderes analisaram "todas as questões", mas destacou que está longe de se chegar a uma base de acordo, pois "as diferenças continuam sendo grandes e profundas".

A ministra de Exteriores israelense, Tzipi Livni, disse nesta manhã que não se deve "deixar pressionar pelo tempo restante para não cair em dois graves erros: Tentar aproximar posturas de modo que conduza ao fracasso, ou envolver em questões críticas para Israel só para conseguir resultados".

Livni, chefe da equipe negociadora israelense, sucederia o primeiro-ministro na Chefia do Kadima, segundo as pesquisas.

Já o vice-ministro de Informação da ANP, Al-Mutawakkil Taha, disse à Agência Efe que "dentro de pouco haverá uma nova realidade em Israel e nos Estados Unidos, e nos últimos cinco minutos é muito difícil alcançar um acordo, apesar das pressões que a Administração Bush exerce sobre os palestinos".

Na Faixa de Gaza, o movimento de resistência islâmico Hamas, que governa o território há mais de um ano, acrescentou hoje um novo elemento discordante, ao condenar duramente Abbas por se reunir com Olmert.

Talvez seja o último encontro entre ambos, mas, apesar disso, o porta-voz do grupo, Fawzi Barhum, disse que a reunião "representa a significativa cooperação entre o presidente Abbas e o inimigo sionista ordenado pelos americanos, para lutar contra a resistência que o Hamas lidera". EFE db/bm/db

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