A diplomacia new look de Obama: tom apaziguador e exigências

O vice-presidente americano, Joe Biden, se comprometeu neste sábado em nome da adminisstração Barack Obama a adotar um novo tom nas relações com a comunidade internacional após os anos Bush, avisando que pedirá um retorno de seus parceiros, no Afeganistão por exemplo.

AFP |

"Estou vindo à Europa em nome de uma nova administração determinada a instaurar um novo tom, não somente em Washington, mas também nas relações da América com o resto do mundo", disse Biden, pronunciando na Europa, por ocasião da grande reunião anual da segurança em Munique, no sul da Alemanha, seu primeiro grande discurso de política estrangeira e de segurança.

"Vamos praticar o diálogo. Vamos ouvir. Vamos consultar. Os Estados Unidos precisam do resto do mundo como, acredito, o resto do mundo precisa dos Estados Unidos", declarou Biden.

Mas, ele avisou, "a América vai fazer mais; esta é a boa notícia; a má notícia, é que vamos pedir a nossos parceiros que façam mais também".

Biden garantiu que os EUA darão "o exemplo" na luta contra o aquecimento climático. Além disso, defendeu a cooperação contra a crise financeira.

Depois dos atritos gerados na "guerra contra o terrorismo" administrada por George W. Bush e os métodos usados, Biden afirmou que a América não praticaria a tortura, e que nenhum país, por mais potente que seja, não está melhor posicionado que os demais para enfrentar sozinho os perigos extremistas.

Mas, em troca, Biden pediu ajuda internacional para cumprir a promessa de Obama de fechar daqui a um ano a prisão de Guantanamo, tida por seus críticos como símbolo dos excessos antiterroristas da administração Bush.

"No combate contra o terrorismo, devemos cooperar com os outros países do mundo, e precisaremos da ajuda de todos".

"Por exemplo, pediremos a outros países que assumam sua parte de responsabilidade em se tratando de alguns prisioneiros hoje em Guantanamo", disse.

Obama se comprometeu a dirigir o esforço americano consentido para uma guerra controversa no Iraque ao combate menos contestado sob comando da ONU no Afeganistão.

No momento em que Washington estuda um reforço considerável das tropas no Afeganistão, espera "dividir com outros este compromisso de estabilização, mas alguns aliados dos EUA se negam a se expor", disse Biden.

A atenção foi voltada também em Munique para a mensagem que Biden transmitiu à Rússia, sobretudo pelo encontro que tem marcado com o vice-primeiro-ministro russo, Sergueï Ivanov, para domingo, em Munique.

"Os últimos anos viram um desvio perigoso nas relações com a Rússia e os membros de nossa aliança", declarou Biden.

"É hora de apertar o botão de reinício e reexaminar inúmeros assuntos nos quais podemos e devemos trabalhar juntos", disse.

Ele também admitiu que ainda haverá desacordos: "Os EUA não reconhecerão a Abkházia e a Ossétia do Sul como Estados independentes".

Ele também disso que os Estados Unidos continuariam desenvolvendo a defesa antimísseis, um dos grandes motivos da briga entre Washington e Moscou.

Mais ele pareceu tentar acalmar as tensões, acrescentando que isto seria feito em consenso com a Rússia "e com a condição e que a tecnologia funcione e que o custo valha a pena".

lal/pm/lm

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