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A cinco dias das eleições, campanha americana convive com truques sujos

Nos dias finais da campanha para as eleições presidenciais americanas, candidatos e eleitores convivem com cartazes pichados, DVDs assustadores sobre a invasão do Islã sobre o Ocidente, panfletos capciosos, alegações de fraude e outros truques sujos.

AFP |

Na política americana, todos estes itens fazem parte do frenesi de último minuto, quando aquilo que um dos lados da disputa considera um truque sujo pode facilmente ser defendido pelo adversário como o mais puro exercício do direito à liberdade de expressão.

Exemplo: dias trás, um panfleto falso ilustrado com o brasão do estado da Virgínia começou a ser distribuído, afirmando que "todos os eleitores republicanos e os independentes que apóiam candidatos do Partido Republicano devem, obrigatoriamente, votar no dia 4 de novembro conforme previsto na lei".

Eleitores que apóiam o Partido Democrata, por sua vez, "devem votar no dia 5 de novembro", diz o texto.

Panfletos semelhantes na Filadélfia alertam que eleitores com multas de trânsito não pagas ou ordens de prisão pendentes podem ser presos caso apareçam para votar no dia da eleição.

Esse tipo de prática costuma atacar principalmente as minorias - que este ano apóiam em massa o candidato democrata, Barack Obama. Além disso, embora a maioria dos estados americanos proíba propaganda falsa envolvendo as eleições, é difícil cumprir a lei, já que grande parte dessas ações são anônimas e realizadas com a maior discrição possível.

"Isso é uma forma insidiosa de influenciar votos que geralmente passa despercebida pelas autoridades, e seus responsáveis quase nunca acabam presos", destaca um relatório do Common Cause, grupo americano de vigilância das práticas políticas.

No norte da Virgínia, vândalos picharam dezenas de placas particulares (colocadas por eleitores em janelas e jardins) de eleitores democratas, escrevendo um 's' por cima do 'b' de Obama, transformado-o assim em 'Osama', numa tentativa de ligar o candidato ao terrorista Osama bin Laden.

Outros truques beiram o absurdo, como uma jovem de apenas 20 anos em Ohio, que relatou ter sido atacada por assaltantes negros que fizeram um ferimento em forma de 'B' (de Barack Obama) em sua bochecha, em represália ao adesivo de John McCain que ela ostentava no carro.

Mais tarde, ela admitiu ter inventado a história.

Especialistas estimam que, com a aproximação do dia da eleição, praticamente qualquer coisa pode acontecer, com democratas fazendo de tudo para convencer as pessoas a não se abster da votação e republicanos concentrando suas baterias sobre o eleitorado indeciso.

Nestas eleições, contudo, os dois lados foram ainda mais longe, acusando-se mutuamente de fraude eleitoral, depois que as autoridades começaram a investigar o grupo ativista ACORN por tentar registrar pessoas que não existem para votar.

O Comitê Nacional Republicano mantém um site onde lista "casos recentes de fraude eleitoral". O Comitê Nacional Democrata, por sua vez, instituiu um contador em sua página na internet, entitulado 'Contador Conte as Mentiras'.

Enquanto isso, televisão, caixas de correio e e-mail são entupidas com propaganda política com um tom cada vez mais negativo para ambos os lados.

Eleitores em potencial nos estados chave da votação também estão recebendo uma overdose de material ideológico - incluindo um DVD do Clarion Fund entitulado "Obsessão: a guerra do Islã radical contra o Ocidente," que foi enviado pelo correio para 28 milhões de pessoas.

O Clarion Fund se defende, afirmando que seu objetivo é apenas "conscientizar as pessoas, porque elas estão sendo anestesiadas por uma falsa sensação de segurança", argumentou o diretor de comunicação da organização, Gregory Ross.

"Por lei, não temos permissão de apoiar ninguém em eleição nenhuma", concluiu.

De acordo com a legislação americana, sindicatos e corporações não podem colaborar com doações para campanhas políticas. O objetivo é evitar a corrupção.

Mesmo assim, é possível montar comitês de ação política financiados por indivíduos, que não possuem limite para arrecadação de fundos.

"A lei de financiamento de campanha não se preocupa com a veracidade das alegações feitas" por certos grupos, explicou Paul Ryan, assessor legal da Comissão Federal Eleitoral.

"Temos a Primeira Emenda (na Constituição), que garante o direito dos indivíduos de se expressar livremente em muitos, senão na maioria dos contextos, com pouca ou nenhuma restrição incidindo sobre eles", acrescentou.

ksh/ap/sd

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