A 40 quilômetros da fronteira, Zelaya planeja volta a Honduras

ESTELI - O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, montou acampamento na cidade de Esteli, na Nicarágua, a menos de 40 quilômetros da fronteira, para preparar o retorno a Honduras.

Redação com agências internacionais |

Zelaya, após dar por fracassada a gestão mediadora do presidente da Costa Rica, Óscar Arias, chegou na quinta-feira à noite à cidade de Esteli, no norte da Nicarágua, com o anunciado propósito de entrar em Honduras, onde seus partidários se mobilizaram para recebê-lo.


Na Nicarágua, Zelaya afirmou que voltará ao país / AP

O líder deposto em um golpe militar em 28 de junho afirma que se deslocará devagar, para reunir muitos simpatizantes no trajeto e ressalta que viajará "com prudência, sem armas", porque é "um homem pacífico".

O presidente deposto já tentou voltar a Honduras em 5 de julho, mas o avião do governo venezuelano no qual viajava foi impedido pelo Exército de pousar em Tegucigalpa. Um jovem partidário de Zelaya morreu nos confrontos registrados naquele dia.

Volta é "provocação"

O presidente em exercício de Honduras, Roberto Micheletti, pediu ao líder deposto do país, Manuel Zelaya, que desista de sua intenção de voltar ao país , um ato que qualificou de "provocação" e de "pretensão de provocar violência". "Eu faço um chamado para que evite essa provocação e desista de sua pretensão de provocar violência", diz Micheletti, em entrevista publicada hoje pelo jornal chileno "La Tercera".

Em suas declarações ao "La Tercera", Micheletti reitera que há uma ordem de detenção contra Zelaya e que ele é acusado "de pelo menos 15 crimes", o que significa que (se retornar) tem que ser detido e colocado à disposição dos tribunais.

Micheletti também desqualifica o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, que, segundo ele, "não se informou bem da situação e elaborou seus próprios relatórios sem levar em conta a verdade", além de ter "desinformado" outros países.

Além disso, insiste em que está disposto a renunciar para que haja um governo de união nacional, "se o ex-presidente Zelaya renunciar a sua pretensão".

Sobre o isolamento internacional do regime que lidera, até agora não reconhecido por nenhum país, Micheletti afirma que "falamos com alguns governos, que prefiro não mencionar, e prometeram manter o apoio".

Acrescenta também que sua administração "está analisando" o plano do presidente costarriquenho Óscar Arias, entregue com esse propósito "a todos os poderes do Estado", mas ressalta que o principal ponto desse plano, que é o retorno de Zelaya, "não é possível".

"Seria ilegal e nós temos que respeitar a lei", explica o governante em funções, que também convidou a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que há poucos dias o pediu para aceitar o plano de Arias, a enviar "alguém de sua confiança para que veja o que está acontecendo" em Honduras.

Acrescenta que seu regime convidou "governos e organismos de direitos humanos para que vejam que aqui não há presos políticos, mortos, torturados, nem censura. Aqui não há golpe nem ditadura, só uma sucessão constitucional", concluiu.

Toque de recolher ampliado

Para evitar confrontos na tentativa de retorno de Zelaya, o governo interino de Honduras ampliou o toque de recolher em cidades na fronteira com a Nicarágua.

Em cadeia nacional de rádio e televisão, o governo chefiado por Roberto Micheletti anunciou que o toque de recolher na fronteira com a Nicarágua estará em vigor entre 18h e 6h no horário local (21h às 9h em Brasília). No resto do país, a proibição vale de meia-noite às 4h30 (3h às 7h30).

* Com AP e EFE

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