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Desconhecido, grupo ‘Soldados de Franelas’ afirma, em redes sociais, que suas "ações militares buscam tomar o poder da ditadura"; governo venezuelano mandou prender seis suspeitos de participar de suposto ataque

Nicolás Maduro falava em evento militar que era transmitido ao vivo pela televisão quando foi interrompido por explosão
Reprodução
Nicolás Maduro falava em evento militar que era transmitido ao vivo pela televisão quando foi interrompido por explosão

Seis pessoas foram presas neste domingo (5), apontadas por envolvimento no suposto ataque com drones contra presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, no sábado (4). O ministro da Justiça e da Paz da Venezuela, Néstor Reverol confirmou a informação, acrescentando que vários veículos foram apreendidos. A polícia analisa alguns vídeos dos momentos da explosão dos drones.

O ataque contra Nicolás Maduro foi reivindicado por um grupo chamado Soldados de Franelas (ou “Soldados de Camisetas”, em tradução livre), segundo escreveu o grupo na conta das redes sociais hoje. Na página, foram compartilhados vídeos do momento em que ocorre explosão dos equipamentos.

No Twitter desde março de 2014, o grupo Soldados de Franelas (FANB) diz ser composto por militares e patriotas “leais ao povo venezuelano, que buscam resgatar a democracia de uma nação sob ditadura”. Ainda de acordo com a página, os drones teriam sido derrubados por seguranças de Maduro antes de chegarem próximo ao presidente.

Sobre a ação malsucedida – nomeada de “ Operação Fênix ”, o grupo escreveu: “Demonstramos que são vulneráveis. Não conseguimos [alcançar o objetivo] hoje, mas é questão de tempo”, ameaçou.

Um vídeo mostra a jornalista Patricia Poleo lendo o “anúncio” do grupo sobre o ataque contra o líder do país. Na mensagem, os Soldados de Franelas dizem “se apoiar nos artigos 1, 2, 5, 19, 23, 328 e 333 da Constituição venezuelana para restabelecer a efetiva vigência desta”.

“Assumimos a vontade inquebrável de fazer respeitar a Constituição como norma suprema e fundamento da ordem jurídica. Todas as pessoas e órgãos que exercem o poder público estão sujeitos a nossa Constituição”, defende o grupo.

“Os objetivos que seguimos são o da volta da paz, da prosperidade, da paz e do progresso. Se a felicidade de um governo é a maior possível não podemos tolerar que a população sofra de fome, que as pessoas não tenham remédios, que a moeda não tenha valor e que o sistema educacional não eduque, ou que a segurança pessoal ser uma memória distante”, diz o anúncio.

Os supostos autores também denunciam que boa parte dos órgãos estatais "ignoraram o conteúdo da Constituição" e, portanto, a FANB "decidiu empreender uma luta para restaurar sua validade efetiva e evitar que ela seja revogada por outros meios além daqueles expressamente consagrados nela”.

Maduro responsabiliza Colômbia e Estados Unidos

Assessor de segurança nacional dos EUA sugeriu que “o próprio Nicolás Maduro esteja por trás da explosão”
Reprodução/Fox News Sundays
Assessor de segurança nacional dos EUA sugeriu que “o próprio Nicolás Maduro esteja por trás da explosão”

O presidente venezuelano apontou a responsabilidade do suposto ataque aos EUA e à Colômbia . Inclusive, o governo norte-americano negou qualquer participação na ação de ontem.

Neste domingo, o assessor de segurança nacional dos Estados Unidos, John Bolton, em entrevista ao Fox News Sunday, sugeriu que “o próprio governo Maduro esteja por trás da explosão”, logo depois de negar que o país esteja envolvido.

Assim como os EUA, o governo da Colômbia negou participação no suposto atentado. 

Ataque com drones ou explosão em apartamento?

Alguns bombeiros teriam desmentido governo à Associated Press, dizendo ter ocorrido explosão dentro de apartamento
Reprodução
Alguns bombeiros teriam desmentido governo à Associated Press, dizendo ter ocorrido explosão dentro de apartamento

A explosão de drones foi questionada depois de fontes dos bombeiros contestarem a versão do governo venezuelano para a Associated Press. Segundo três oficiais, o incidente foi, na verdade, uma explosão de tanque de gás dentro de um apartamento. Imagens compartilhadas na internet ainda mostram a fumaça saindo próxima ao prédio.

Mas as informações não batem com os vídeos publicados nas redes sociais pelo grupo Soldados de Franelas e nem pela imagem divulgada na rede de televisão governamental. 

A grande dúvida em torno da responsabilidade e dos detalhes sobre o possível atentado gira em torno de Nicolás Maduro . Não é a primeira vez que ele diz sofrer um ataque . A ação ainda é questionada, uma vez que diversas testemunhas dizem não ter visto “os artefatos voadores” durante o evento pelo 81º aniversário da Guarda Nacional Bolivariana.