O assassinato de Purón ocorreu logo depois de um debate em que disse que "combateria o crime organizado"; este é o 112º candidato morto em 9 meses

Fernando Purón saía de um debate eleitoral com outros candidatos ao congresso do México na última sexta-feira
Reprodução/CCTV
Fernando Purón saía de um debate eleitoral com outros candidatos ao congresso do México na última sexta-feira

Fernando Purón saía de um debate eleitoral com outros candidatos ao congresso do México na última sexta-feira (8), na cidade fronteiriça de Piedras Negras, quando um suposto eleitor pediu para que ele tirasse uma selfie junto ao político, que aceitou de bom grado. Porém, o que parecia ser mais uma foto comum durante campanha eleitoral, tornou-se assassinato à queima-roupa. As informações são The Guardian.

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Em imagens capturadas por câmeras de segurança, é possível ver um homem de barba chegar próximo ao candidato e ao suposto eleitor e atirar contra a cabeça de Purón, que morreu na hora. Ele foi o 112º candidato assassinado no México desde setembro do ano passado, segundo uma empresa de consultoria – o que ilustra a crescente e alarmante violência no país, que registrou número recorde de homicídios em 2017, o 11º ano de uma repressão militarizada contra o crime organizado.

A responsabilidade de grande parte dos assassinatos dos políticos é apontada aos cartéis de drogas, que predominantemente ocorreram em regiões já atormentadas pela violência. Políticos de todos os partidos e em todos os níveis do governo foram atacados ao longo dos últimos meses.

No início deste mês, três candidatas foram assassinadas dentro de um período de 24 horas. Pamela Terán, do PRI no estado de Oaxaca, foi assassinada junto de um fotógrafo e do motorista ao deixar um restaurante no dia 2 de junho. A mídia mexicana informou que o pai de Terán tinha ligações com o crime organizado.

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Nesse mesmo dia, a candidata do Partido Verde, em Puebla, Iraís Maldonado, e a vereadora Erika Cazares foram encontradas mortas em seus carros depois de uma ação de campanha. Autoridades descartaram assalto como motivação dos crimes.

Assassinato no México ainda é mistério

O assassinato de Purón permanece um mistério, embora o candidato tenha recebido diversas ameaças de morte durante o período em que foi prefeito da cidade de Piedras Negras. Inclusive, ele chegou a ser acompanhado por 10 guarda-costas. Ainda não foi descoberto o responsável e nem qual seria a motivação para o crime, mas um grupo criminoso dominante na região estaria “descontente” com o político.

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Durante o debate – pouco antes de sua morte –, Purón prometeu desafiar o crime organizado , segundo o jornal Vanguardia . “Você enfrenta o crime de frente, você não teme, você o chama pelo que é”, disse o candidato. “Infelizmente, nem todos os que estão no poder fazem o seu trabalho, alguns até estão em conluio com criminosos”, desafiou.

A eleição do México acontece no dia 1º de julho e, até lá, é impossível saber se os números sangrentos não irão subir. Na data, os mexicanos deverão escolher novo presidente, renovar o congresso nacional, além de ter de escolher novos líderes de Estado locais.  

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