Ao todo, foram 364 votos, nove a mais do que ela precisava; dias antes, a chanceler alemã havia assinado o acordo para a nova "grande coalizão"

A chanceler alemã, Angela Merkel, afirma
Antonio Cruz/ABr
A chanceler alemã, Angela Merkel, afirma "aceitar a eleição" e deve ir ao Palácio de Bellevue para nomeação oficial

Pela quarta vez, os deputados alemães reelegeram Angela Merkel como chanceler da Alemanha nesta quarta-feira (14). Após reeditar o acordo de grande coalizão entre conservadores e social-democratas, ela conseguiu o voto da maioria absoluta dos Bundestag (Câmara Baixa).

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Ao todo foram 364 votos favoráveis, entre os 688 votos válidos. Merkel teve nove votos a mais do que precisava, mas 35 a menos do que a maioria teórica de 399 deputados conservadores e social-democratas. Nove deputados se absteram.

No entanto, o resultado não agradou a todos. Depois de anunciar o número de votos, a chanceler foi aplaudida pela maioria, menos pelos membros do Partido Social Democrata (SPD). Segundo o conservador da União Democrata Cristã (CDU), mesmo partido de Merkel, Alexander Mitsch, a escolha dos deputados pode ser um mau presságio, conforme informou o jornal alemão Bild .

“Aceito a eleição”, afirmou Merkel ao presidente da Câmara, Wolfgang Schauble. Em resposta, ele a desejou “força e sucesso” para enfrentar as “grandes tarefas” da legislatura.

Com isso, a chanceler recebeu os cumprimentos de seus colegas parlamentares e convidados, entre eles, o ministro da antiga legislatura, futuros membros do gabinete, seu marido, Joachim Sauer, e sua mãe, Herlind Kasner.

Os próximos passos da líder do CDU são ir para a sede da presidência do país, o Palácio de Bellevue, para a nomeação oficial pelo chefe de Estado, Frank-Walter Steinmeier, e depois voltar ao Parlamento para jurar o cargo.

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Trajetória

O bloqueio político que se sucedeu desde às eleições do dia 24 de setembro do ano passado foi superado por Merkel.  Após deixar um panorama fragmentado e poucas opções para formar um governo estável pela queda dos dois grandes partidos - conservadores e social-democratas - além o surgimento da ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD), a chanceler conseguiu acabar com a situação.

Ela recorreu novamente aos social-democratas para sua quarta legislatura, com quem já se aliou em seu primeiro mandato (2005-2009) e o terceiro (2013-2017), após a assinatura formal, na última segunda-feira (12), do novo pacto de governo, resultado de uma negociação complexa.

Acordo

Na segunda-feira, a chanceler alemã encontrou seus parceiros para assinar o acordo da nova “grande coalizão” do governo. Quando questionada, durante uma coletiva de imprensa antes de assinar o trato com líderes do partido CSU e dos sociais-democratas do SPD, sobre se os rostos severos eram devidos à nova coalizão, ela admitiu que a atitude era politicamente necessária, não um “caso de amor”.

Merkel solicitou que providências fossem tomadas rapidamente para superar as diferenças entre membros da União Europeia em um orçamento de investimento comum. Ela também garantiu que irá viajar à Paris em breve, para negociar com o presidente Emmanuel Macron sobre suas propostas de reforma para zona do euro.

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