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Australiano acusado de abuso sexual de duas mulheres na Suécia vive há cinco anos na embaixada equatoriana da Grã-Bretanha; apesar da segunda nacionalidade, ele corre risco de ser extraditado para os Estados Unidos

Grã-Bretanha rejeitou reconhecer o
Wikimedia Commons
Grã-Bretanha rejeitou reconhecer o "status diplomático" oferecido pelo Equador ao fundador do Wikileaks

O governo do Equador confirmou nesta quinta-feira (11) que concedeu a nacionalidade ao fundador do site Wikileaks, Julian Assange . Segundo o jornal "El Universo", o australiano tem uma cédula equatoriana com um "código correspondente à província de Pichincha" e recebeu um passaporte do país no dia 21 de dezembro do ano passado.

O jornal afirma que constatou no site governamental da agência fiscal "Servicio de Rentas Internas" que o número 1729926483 refere-se ao "cidadão Julian Paul Assange". Fundador do Wikileaks , Assange vive na Embaixada do Equador em Londres há mais de cinco anos e é protegido pelas autoridades do país para não ser preso por denúncias de estupros feitas por duas mulheres na Suécia. As acusações foram arquivadas, mas o medo do australiano é ser preso assim que deixar a sede da embaixada.

O temor de Assange, que revelou milhares de documentos secretos dos Estados Unidos, é que a acusação seja uma "desculpa" para extraditá-lo para os EUA, onde responderia por vazar os dados sigilosos.

Na quarta-feira (10), a chanceler do Equador, Maria Fernanda Espinosa, afirmou em coletiva de imprensa que a situação de Assange é "insustentável" do ponto de vista humano e que está planejando uma "mediação" para encontrar uma solução.

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De acordo com ela, o mediador pode ser "tanto um terceiro país como uma personalidade". Quito deseja que o Reino Unido dê um "salvo-conduto" para que Assange possa sair da nação sem ser preso.

No entanto, a Grã-Bretanha rejeitou reconhecer o "status diplomático" oferecido pelo Equador a Julian Assange, informou um porta-voz do Foreign Office. Segundo o representante, o país sul-americano havia feito a proposta para resolver o caso do australiano, que desde 2012 mora na Embaixada do país. Para Londres, ele só poderá sair do local "se decidir enfrentar a lei". 

Vazamento de informações

O site de Julian Assange tornou público documentos confidenciais de operações militares norte-americanas no Iraque e no Afeganistão, em 2010, além de correspondências diplomáticas. Os documentos e correspondências foram repassados ao site pela ex-agente norte-americana transgênero Chelsea Manning que ficou presa por sete anos pelos vazamentos.

Assange prometeu que aceitaria ser extraditado aos Estados Unidos, caso Chelsea Manning fosse libertada, o que em maio do ano passado, graças a um indulto concedido por Barack Obama, dias antes de ele deixar o cargo em janeiro.

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Manning enfrentava depressão e tentou suicídio na prisão em duas ocasiões. Após a assinatura do indulto por Barack Obama, os advogados de Assange disseram que ele não aceitaria de forma imediata a extradição, pois poderia ser preso.

A administração de Donald Trump não concordou com a libertação de Manning e já informou que a extradição do fundador do Wikileaks é prioridade. O tema já foi discutido entre Estados Unidos e Grã-Bretanha.

* Com informações da Agência Brasil e Ansa

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