Catarinense Jonatan Diniz, de 31 anos, foi acusado de manter atividades contra o regime de Nicolás Maduro durante o período que ficou no país

Brasileiro que ficou preso na Venezuela e, depois, foi expulso contou sua relação com o país pelas redes sociais
Instagram/jonatan_diniz_pitty/Reprodução
Brasileiro que ficou preso na Venezuela e, depois, foi expulso contou sua relação com o país pelas redes sociais

O brasileiro Jonatan Diniz , de 31 anos, que foi preso na Venezuela e expulso do país neste sábado (6) , fez uma publicação nas redes sociais na noite deste domingo (7) para afirmar que está bem e em segurança. O catarinense foi acusado de manter atividades desestabilizadoras contra o regime de Nicolás Maduro .

Jonatan começa a publicação dizendo que a Venezuela é um “caso complicado de explicar”. O brasileiro não falou sobre os dias em que passou na prisão, mas em um trecho do texto se mostra indignado com a atuação dos governos pelo mundo. “O que mais me indigna é que a direita faz cagada, a esquerda faz cagada, o mundo inteiro vê crianças morrerem de fome e ninguém faz M**** NENHUMA PARA AJUDAR e ainda criticam e colocam na prisão os que tentam fazer! No final das contas essa não é só uma avaliação a respeito do que os Venezuelanos estão sofrendo ou fazendo com seu país, mas sim uma avaliação de o que nós humanos estamos vendo e fazendo a respeito... NADA!!!”

Ele explica que decidiu ir para a Venezuela doar parte do dinheiro que tinha e conquistou com seu trabalho para iniciar o projeto “Time To Change The Earth” junto com amigos ao redor do mundo. “Nada mais era que doar roupas, comidas, brinquedos e o que necessitasse para quem realmente precisasse. E o mais importante, tentar de alguma maneira mudar a mentalidade das pessoas, tentar encontrar uma maneira de em vez de guerrear, unir as partes para todos lutarem pelo mesmo objetivo.”

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Para o governo venezuelano, entretanto, a entidade seria uma “organização criminosa com tentáculos internacionais”, que distribuiria alimentos e bens a moradores de rua com o objetivo de obter recursos em moeda nacional com vistas a promover ações contra o governo.

Relação com o país

O brasileiro conta que foi para o país pela primeira vez em 2016, como mochileiro. “Realmente me surpreendeu que com tantos problemas esse povo poderia ser tão receptivo e amável como são”, diz Jonatan, que, depois de algum tempo, decidiu por conta própria viver no local. Um dos objetivos seria saber mais sobre o que é e não é verdade sobre a Venezuela.

“Participei de muitos projetos de voluntariado em filantropia e nos três meses que estive lá dei bastante suporte na parte de fotografia. Sendo minhas fotos usadas por diversas instituições e até minha cara muitas vezes sem nem eu saber sendo usada em campanhas publicitárias para arrecadação de doações.”

Como viveu no local entre maio e agosto de 2017, presenciou protestos intensos contra o governo. Ele explica que foi às manifestações como observador e garante que jamais tocou em uma arma. “Sim, odiei muito Maduro nesse tempo por todas as bombas lacrimogêneas que tive que respirar e sim, vi muita barbaridade tanto de um lado quanto do outro. Quando eu não chorava pela notícia de mais um jovem assassinado que batalhava por liberdade e por um país melhor, eu chorava por ver crianças de 5, 6 anos prepararem bombas molotov no meio da avenida para se prepararem para os confrontos.”

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A atuação de crianças nas manifestações foi algo que chamou muita atenção de Jonatan. Ele conta que, enquanto via os pequenos se preparando para um verdadeiro combate, via também adultos de diferentes idades apenas olharem a situação e não fazerem nada para evitar a situação. “Se eu tentava falar para as crianças não fazerem isso ainda sofria ameaças.”

Agradecimento

Jonatan encerra a mensagem que deixou nas redes sociais com uma agradecimento aos brasileiros que se movimentaram para tirá-lo da prisão. “Me comove muito a união que o povo brasileiro teve para me ajudar e me tirar da prisão, de verdade, sem palavras, pela primeira vez em minha vida vi nós brasileiros provarmos que somos mais fortes que governos. Como sempre disse e sempre vou dizer, o povo não deve temer o governo, o governo deve temer o povo, e em realidade, SERVIR o povo.”

O jovem também afirma que vai continuar sua vida normalmente, mas que prefere manter em sigilo o local onde está e para onde vai depois de todo o problema na Venezuela. “Espero que compreendam, tenho minha vida pessoal e particular”, completa.

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