Opositor de Maduro foge da prisão na Venezuela para a Colômbia

Antonio Ledezma estava preso desde 2015 e é um dos principais líderes do movimento contra Maduro; para ele, dialogo entre governo e oposição é uma “paródia”
Foto: Reprodução/Twitter
Antonio Ledezma deixou sua casa na madrugada desta sexta-feira (17) e atravessou a fronteiro até a Colômbia

Um dos principais opositores ao regime de Nicolás Maduro , na Venezuela, escapou da prisão domiciliar e fugiu para a Colômbia nas primeiras horas desta sexta-feira (17), de acordo com a imprensa dos dois países. Após uma fuga que ele mesmo chamou de “perigosa” até a Colômbia, Antonio Ledezma , ex-prefeito metropolitano de Caracas, pretende seguir para a Espanha.

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Ainda não se sabe detalhes de como conseguiu fugir da Venezuela , mas Ledezma disse que "foi uma jornada perigosa”, a jornais colombianos. “Estamos falando de passar mais de 29 postagens entre guardas nacionais e policiais do governo, mas Deus é muito grande”, explicou.

Ledezma é líder fundador da Aliança Bravo Povo, um dos principais partidos da oposição da Venezuela e membro da Mesa da Unidade Democrática, coalizão de partidos contra o governo de Maduro. De 2008 a 2015, ocupou o cargo de Prefeito Metropolitano de Caracas, de grande peso político no país. Mas em fevereiro de 2015, foi preso, acusado de planejar um golpe de estado, com o apoio dos Estados Unidos. 

Apesar de nunca ter sido formalmente julgado, Ledezma seguia na prisão e, entre períodos na cadeia e prisão domiciliar, passou 1002 dias preso. Em casa desde o dia 4 de agosto deste ano, o político era vigiado pelo Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin).  Mas mesmo observado, conseguiu fugir.

Em entrevista à rede colombiana RCN, o ex-prefeito disse que “[tem] informação de boas fontes que existem hoje outras intenções comigo, e não quero ser um refém do governo”. Ledezma se emociona no vídeo e diz que o atual discurso entre oposição e governo é uma “paródia”.

O político faz referência a reunião que começou nesta quinta-feira (16), em Santo Domingo  na República Dominicana, entre governo da Venezuela e a oposição. O objetivo é discutir a crise no país sul-americano.

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Sua esposa Mitzy, que ficou na Venezuela, usou a conta de Ledezma no Twitter para defender a fuga do marido. Faz anos, meses, dias e horas de terríveis injustiças. Antonio será mais útil nos países livres que defendem a Liberdade da Venezuela e os Prisioneiros Políticos, que foram silenciados pelo regime”, declara.


Reações

A fuga balançou a classe política venezuelana. María Corina Machado, líder do partido Vente Venezuelana, também de oposição, afirmou a jornalistas que "Ledezma realizou um ato de coragem e coragem. Ele não permitiu que a ditadura fizesse um refém desse diálogo falso ".

Fora da Venezuela, o presidente da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagr o, usou o Twitter para dar seu apoio a Ledezma. “Meus cumprimentos a Antonio Ledezma, referência moral de #Venezuela, agora livre para liderar a luta do exílio pelo estabelecimento do sistema democrático em seu país”, afirmou. Almagro é conhecido pelas críticas ao governo Maduro.





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O governo da Venezuela ainda não se pronunciou. Após a fuga de Ledezma, a Sabin invadiu a casa do político, de acordo com relatos de seus familiares, mas não anunciou ter encontrado nada de relevante.

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