Presidente dos EUA não rompeu tratado, mas pediu que o governo trabalhe com o Congresso para impedir que o país persa crie mais armas nucleares

Em seu discurso de estreia da Assembleia Geral da ONU, Donald Trump, ameaçou cancelar acordo com Irã
Reprodução/Twitter
Em seu discurso de estreia da Assembleia Geral da ONU, Donald Trump, ameaçou cancelar acordo com Irã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (13) que não certificará o acordo nuclear com o Irã assinado em 2015, mas, ao contrário do que se esperava, não rompeu o tratado. Pela lei, a cada 90 dias, o presidente deve certificar ou não o Congresso que Teerã, capital iraniana, respeita o acordo e que este é do interesse do país norte-americano.

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O pronunciamento de Donald Trump sobre o tema era aguardado desde a semana passada, quando ele acusou Teerã de não cumprir com os termos do pacto e de perseguir o desenvolvimento de bombas nucleares. "Não podemos efetuar essa certificação e não o faremos", declarou o magnata.

No entanto, o presidente norte-americano afirmou que deu instruções a seu governo para trabalhar com o Congresso em maneiras de fazer com que "o regime iraniano não ameace o mundo com armas nucleares". "O Irã está sob controle de um regime fanático", disse.

Trump também acusou o governo do país persa de usar o acordo como "âncora de salvação" e reiterou que o tratado, uma bandeira de seu antecessor, Barack Obama, é "uma das piores e mais desequilibradas transações que os Estados Unidos já fizeram". O presidente ainda ameaçou cancelar o tratado se a Casa Branca não conseguir chegar a um ponto em comum com o Congresso sobre um novo compromisso com o Irã.

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Em seu pronunciamento, o republicano pediu a aplicação de sanções contra o Exército dos Guardiões da Revolução Islâmica, divisão das Forças Armadas acusada por Washington de apoiar grupos "terroristas" no Oriente Médio.

Tratado

O acordo nuclear foi assinado em 2015, fruto de um compromisso entre Irã, as potências do 5+1 (EUA, França, Alemanha, China, Rússia e Reino Unido) e a União Europeia, mas entrou em vigor apenas em janeiro do ano seguinte.

O tratado prevê a eliminação dos bloqueios impostos à economia iraniana nos últimos anos. Em troca, o país persa se comprometeu a limitar suas atividades atômicas, incluindo a interrupção do enriquecimento de urânio na usina de Fordow e a redução de suas centrífugas, que passarão de 19 mil para 6,1 mil em 10 anos. Além disso, Teerã aceitou permitir a realização de inspeções periódicas por parte da Organização das Nações Unidas (ONU) em suas instalações. 

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Irã rebate Trump

Ainda nesta sexta-feira (13), o presidente do Irã, Hassan Rohani, reagiu ao discurso de Trump sobre o acordo nuclear e garantiu que seu país está empenhado em repeitar o tratado.

"Trump não pode fazer o que quer. O acordo nuclear foi ratificado pela ONU, não é um tratado bilateral", declarou o mandatário, durante um pronunciamento transmitido em rede nacional. Além disso, ele acusou os Estados Unidos de "arruinarem" o Irã e disse que o republicano não tem o direito de reivindicar o papel de "paladino contra as armas nucleares".

"Trump não entende de geografia nem de geopolítica", ironizou Rohani, questionando a declaração de Donald Trump de que ele não vai certificar o acordo. "Como é possível que um presidente faça isso unilateralmente?", concluiu. 

* Com informações da Ansa

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