Enquanto a mulher era atacada pelo grupo, uma multidão ao seu redor aplaudia e incentivava a ação dos rebeldes; o caso aconteceu no Congo

Nas ruas da cidade de Luebo, a mulher sofreu com a atuação do grupo de rebeldes do Congo, que foi aplaudida pela multidão
Reprodução/Metro
Nas ruas da cidade de Luebo, a mulher sofreu com a atuação do grupo de rebeldes do Congo, que foi aplaudida pela multidão


Uma mulher foi publicamente estuprada, espancada, decapitada e teve seu sangue ingerido por rebeldes do Congo após servir um “peixe proibido” a eles. O caso aconteceu em abril, mas só foi divulgado na última terça-feira (10), ocorreu nas ruas da cidade de Luebo, onde uma multidão acompanhou e incentivou, com aplausos, os ataques do grupo.

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Segundo informações do portal Metro , a mulher e seu enteado foram condenados por servir, no restaurante de sua família, uma refeição que continha carne de peixe em sua composição. O ingrediente, entretanto, só se tornou um problema porque os membros da milícia anti-governo Kamuina Nsapu, do Congo , seguem regras rígidas que, segundo eles, servem para protegê-los durante batalhas.

Dentre as normas, que incluem abstinência sexual e não tomar banhos, destaca-se a diretriz que os proíbe de comer qualquer tipo de carne, incluindo peixes. Desta forma, ao perceberem a presença do componente na refeição, os homens condenaram a mulher e seu enteado, que estava trabalhando no restaurante naquele dia, a cometerem um ato incestuoso em público.

Uma multidão se aglomerou ao redor dos dois para acompanhar o episódio de estupro . Com aplausos, o grupo incentivou a ação dos rebeldes enquanto as vítimas eram espancadas, decapitadas e tinham seu sangue ingerido pelos membros da milícia. Seus corpos ficaram expostos no centro da cidade antes de serem removidos para o cemitério local.

Os aplausos da população, entretanto, possuem uma explicação, de acordo com o portal France 24 . Um dos moradores de Luebo, que pediu para não ser identificado, declarou que a mulher executada era muito conhecida e querida pelas pessoas. Porém, a crença dos congoleses nos poderes satânicos dos rebeldes os obriga a ter certas atitudes. "Nós não temos escolha: ou apoiamos suas ações ou morremos".

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Os Kamuina Nsapu

Organizados em meados de 2016, quando o líder de uma tribo local foi assassinado pelo exército, a milícia tem como objetivo lutar contra o governo. Armados, eles executam funcionários do Estado, incluindo policiais, em toda a região do Kasai, além de atacarem símbolos da Igreja Católica.

Um de seus métodos de atuação é tomar pequenas cidades ao longo da área, assim como fizeram com o município de Luebo, em março do ano passado. Desta forma, a população é amedrontada e obrigada a seguir as diretrizes do grupo, como um dos moradores da cidade explicou ao  France 24.

A força da milícia , contudo, está se desintegrando aos poucos. O governo retomou o controle de Luebo ainda em abril, e durante os últimos meses, eles perderam boa parte de seu poder e territórios conquistados no último ano.

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O especialista Anaclet Tshimbalanga ainda fez questão de ressaltar, ao  France 24 , que as punições aplicadas pelo grupo não fazem parte da cultura do Congo. "Cada uma das milícias desenvolve seus próprios rituais e castigos, que não estão relacionadas às práticas tradicionais da nossa região", explicou.

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