Genro de Trump confirma reuniões com russos em campanha, mas nega conspiração

O empresário e conselheiro do governo republicano encaminhou documento de 11 páginas aos comitês de inteligência dos EUA, em que detalha os encontros com embaixador, advogada e banqueiro russos no ano de 2016
Foto: Reprodução/Wikipedia
Genro de Donald Trump e conselheiro do governo republicano, Kushner nega ter realizado conspirações com russos

O genro de Donald Trump, Jared Kushner , conselheiro sênior da administração republicana, afirmou nesta segunda-feira (24) aos comitês de inteligência do Senado e do Congresso dos Estados Unidos que “não teve mais nenhum encontro com pessoas ligadas ao governo da Rússia além daqueles que já foram reveladas publicamente”.

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Em um documento de 11 páginas, Kushner entrega publicamente tudo o que teria sido discutido nos quatro encontros que teve com oficiais russos durante a campanha presidencial dos Estados Unidos em 2016, quando Donald Trump disputava com a democrata Hillary Clinton. Na carta, ele descreve detalhes destas reuniões.

A declaração do genro do presidente acontece enquanto investigadores federais e do Congresso examinam os contatos de Kushner com os russos como parte de artimanhas realizadas – e que possam ter tornado possível a interferência russa nas eleições de 2016.

No documento entre hoje, Kushner afirma de forma repetida que não discutiu nada que fosse inapropriado nesses encontros. Ele chegou a encontrar o embaixador russo em Washington por duas vezes, além de uma reunião com o presidente de um banco público russo, em junho de 2016, e um encontro com a advogada ligada ao governo da Rússia (que também se encontrou com o filho primogênito do então candidato republicano).

“Eu não participei de conspirações , não sei de ninguém que tenha conspirado na campanha com os governantes estrangeiros. Não tive encontros inapropriados. Eu não consegui fundos para financiar meus negócios no setor privado com os russos. Eu tentei ser totalmente transparente”, escreveu.

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A agência de notícias “Reuters” afirma que o genro de Trump fez duas ligações com o embaixador russo em Washington entre abril e novembro de 2016, o que ele refuta. De acordo com Kushner, as ligações não podem ser encontradas nos históricos de ligações – tanto do telefone quanto do celular – durante o período apontado.   

Outra polêmica envolvendo seu nome é um e-mail encaminhado por Trump Jr. para uma reunião com a advogada ligada ao governo russo em junho de 2016. De acordo com ele, a troca de mensagens foi e voltou várias vezes e que “não leu na época”. Além disso, aponta que “os documentos podem comprovar que a reunião foi marcada como ‘Don Jr | Jared Kushner’”, ou seja, mais ninguém fora mencionado e que, portanto, não saberia sobre a participação da russa.

Reação do presidente

Entre os detalhes descritos por Kushner estão os encontros com o então embaixador russo Sergey Kislyak, que teriam sido “rápidos”, segundo ele. Jared Corey Kushner é um investidor imobiliário, proprietário de jornais e conselheiro do presidente norte-americano. Ele é o filho mais velho do promotor imobiliário Charles Kushner e é casado com a filha de Trump, Ivanka .

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Sobre as polêmicas envolvendo pessoas ligadas à sua campanha presidencial, incluindo o genro e o filho mais velho, Donald Trump tuitou nesta segunda: “depois de um ano, com zero evidência encontrada, [o senador democrata] Chuck Schumer afirmou que ‘os democratas deveriam se culpar, não a Rússia’".

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