Solução inusitada, que salvou a vida de doze pessoas, foi pensada a partir da dificuldade de alguns idosos em fugir das chamas que tomam o centro do país

Em meio ao desespero causado pelo fogo, Maria estava tentando salvar sua mãe do incêndio e teve a ideia que deu certo
Reprodução/Diário de Notícias.pt
Em meio ao desespero causado pelo fogo, Maria estava tentando salvar sua mãe do incêndio e teve a ideia que deu certo

Doze pessoas conseguiram sobreviver de maneira inusitada ao grave incêndio que atinge, desde o último sábado (19), uma floresta em Pedrógão Grande, na região central de Portugal.

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O grupo de moradores da aldeia de Nodeirinho – uma das localidades afetadas pelas chamas – sobreviveu ao incêndio passando a noite de sábado para domingo dentro de uma caixa d'água.

No total, foram sete horas aguardando socorro dentro do tanque. "Se não fosse por isso, nós teríamos todos morrido", disse um dos sobreviventes à BBC .

De acordo com o jornal português Correio da Manhã , a ideia de enfrentar o incêndio dentro da caixa d'água partiu da moradora Maria do Céu Silva, que hoje é saudada como heroína, por ter incentivado a medida a seus vizinhos, salvando doze vidas.

Sem disposição para correr

Em meio ao desespero causado pelo fogo, Maria estava tentando salvar sua mãe, uma mulher de 95 anos que só consegue se mover com a ajuda de um andador.

Como a idosa não conseguia subir em uma caminhonete que a família tinha arranjado para fugir do fogo, o jeito foi abrigá-la na caixa d'água da residência, onde Maria e seu marido também passaram a noite.

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"Meu marido disse para colocá-la na caminhonete, mas ela não conseguia entrar sozinha, e me disse: 'deixe-me morrer aqui'", contou Maria. "Com a ajuda do meu filho, conseguimos pegá-la e levá-la para a caixa d'água".

Seu pai, um homem de 81 anos, também foi abrigado na caixa d'água, junto a outros vizinhos idosos, que não conseguiam correr das chamas.

“A temperatura estava tão alta do lado de fora do tanque, que logo começou a nos queimar os braços", relata a heroína.

"Íamos então pondo água para cima de uns e de outros, para cima dos carros. Tentamos ligar para os bombeiros, mas ninguém nos socorreu”, descreve a moradora da aldeia de Nodeirinho ao jornal português Sapo .

Mais de 60 mortos

De acordo com as autoridades, 62 pessoas foram mortas pelo fogo que atinge castiga o centro de Portugal. "Vamos enfrentar o que temos, o combate é difícil", disse o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, nesta segunda-feira (19). 

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Ainda que não tenha sido encerrada a primeira fase da tragédia, a do combate, o presidente explicou que já foi aberta uma segunda, "a de acolhimento, de reinserção comunitária" dos afetados que ficaram sem lar ou que perderam seus familiares no incêndio.

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