Favorito nas pesquisas, candidato a presidente da França vira alvo da Justiça

Procuradoria de Paris abriu inquérito para apurar suspeita de favorecimento envolvendo uma visita de dois dias de Emmanuel Macron a Las Vegas, nos Estados Unidos, no início de 2016, quando era ministro de Economia do país
Foto: Reprodução/ Facebook/ Emmanuel Macron
Macron: candidato a presidência da França não está sendo investigado, mas sim as circunstâncias envolvendo a viagem

O candidato independente à presidência da França Emmanuel Macron, tido como favorito para vencer as eleições, entrou na mira da Justiça. O escritório anticorrupção da Procuradoria de Paris abriu nesta terça-feira (14) um inquérito para apurar uma suspeita de favorecimento envolvendo uma visita de dois dias de Macron a Las Vegas, nos Estados Unidos, em janeiro de 2016, quando era ministro de Economia.

Leia também: Após chamar mulheres de 'burras', deputado é penalizado no Parlamento Europeu

Segundo o jornal "Le Canard Enchainé", da França , o Inspetorado Geral das Finanças (IGF) suspeita de uma "fraude" na viagem de Macron, cuja organização teria sido entregue à empresa Havas em caráter de "urgência" e sem licitação. 

Na ocasião, o então ministro falou a uma plateia de empreendedores franceses durante o Consumer Electronics Show (CES), principal feira de tecnologia dos EUA. O evento teria custado mais de 380 mil euros, sendo 100 mil relativos apenas a despesas de hospedagem.

Por enquanto, o candidato não está sendo investigado; o que está na mira da Justiça são as circunstâncias envolvendo a viagem, que foi patrocinada pela Business France, agência ligada ao Ministério de Economia que promove empresas francesas no exterior.

"Meu ministério sempre respeitou as regras das licitações públicas", garantiu Macron, que está tecnicamente empatado com a ultranacionalista Marine Le Pen, da Frente Nacional (FN), na liderança das pesquisas para o primeiro turno das eleições na França, em 23 de abril.

Contudo, ele venceria por mais de 20 pontos de vantagem no segundo. Macron chefiou o Ministério de Economia entre 2014 e 2016, mas abandonou o governo após divergências com o presidente François Hollande, do Partido Socialista (PS), a quem acusa de estar preso aos dogmas da esquerda.

Leia também: Turquia acusa Holanda de "fascismo", ampliando crise diplomática

Seu movimento, o "En Marche" ("Em Movimento"), carrega as iniciais de seu próprio nome e adota uma plataforma liberal e europeísta – o candidato foi um dos maiores defensores da reforma trabalhista que flexibilizou as formas de contratação no país francês e foi duramente criticada por sindicatos.

Dizendo não ser "nem de esquerda, nem de direita", Macron alcançou uma posição de destaque nas pesquisas, deixando para trás o candidato oficial do PS, Benoît Hamon. Os jornais do país especulam que o ex-primeiro-ministro Manuel Valls, derrotado por Hamon nas primárias socialistas, deve declarar apoio público a Macron nas próximas semanas para levá-lo ao segundo turno, em detrimento do candidato de seu partido.

Outros candidatos investigados

Além de Macron,  outros dois postulantes que dominam a disputa eleitoral na França são alvos de investigações. François Fillon, da legenda conservadora "Os Republicanos", foi formalmente indiciado por apropriação indevida de fundos públicos ao supostamente conceder empregos fictícios a sua esposa e seus dois filhos na Assembleia Nacional.

Leia também: Condenado duas vezes à prisão perpétua, "Chacal" volta a ser julgado

Já Marine Le Pen é suspeita de ter usado recursos do Parlamento Europeu, onde cumpre mandato de eurodeputada, para financiar as atividades da Frente Nacional, da França.

* Com informações da Ansa

Link deste artigo: http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2017-03-14/franca.html