Governo turco anunciou 'represálias' ao país; atrito teve início neste sábado, quando a Holanda impediu que avião com ministro turco pousasse no país

O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu, foi impedido de aterrissar na Holanda neste sábado
Reprodução/Twitter
O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu, foi impedido de aterrissar na Holanda neste sábado

O ministro de Assuntos Europeus da Turquia, Ömer Çelik, disse, neste domingo (12), que a atuação das autoridades da Holanda é um exemplo exato de "fascismo".

Leia também: Discurso de ódio leva à condenação de líder da extrema-direita na Holanda

"O fascismo despertou na Holanda e tomou o cenário. Todos os democratas verdadeiros do mundo devem reagir a isto para um mundo livre", escreveu Çelik em sua conta no Twitter.

A declaração de Çelik acontece um dia após o governo holandês ter proibido, neste sábado (12) que o avião que levava o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu, pousasse no país, o que desencadeou uma crise diplomática com Ancara.

O ministro acrescentou que o primeiro-ministro holandês, o liberal Mark Rutte, se transformou "na voz de uma mentalidade obscura e racista que levou à Segunda Guerra Mundial".

Já o primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, condenou em comunicado a atitude do governo holandês e anunciou que este receberia "uma resposta da maior gravidade".

Leia também: Presidente da Turquia acusa Alemanha de ser “nazista” após veto a comícios

"Nossos amigos europeus, que falam em cada oportunidade da democracia, da liberdade de expressão e dos direitos humanos, foram reprovados mais uma vez no exame deste assunto", destaca o texto divulgado no site do governo.

"Saiba, nossa querida nação, que serão tomadas represálias equivalentes contra este tratamento inaceitável da Turquia e de nossos ministros, que gozam de imunidade diplomática", acrescenta.

Entenda o caso

A decisão do governo holandês impediu que Cavusoglu fosse para Rotterdã para participar de um comício de apoio ao referendo constitucional na Turquia. Ele deveria fazer campanha com os turcos expatriados pelo "sim" no referendo de 16 de abril, que prevê mudanças no sistema de governo, substituindo o parlamentarismo pelo presidencialismo executivo – o que daria mais poder ao mandatário Recep Tayyip Erdogan.

Em um comunicado, o governo holandês justificou a decisão apontando os riscos que a presença de Cavusoglu poderia causar na cidade.

"O governo holandês não tem objeções a encontros em nosso país para informar sobre temas do referendo, mas isso não deve contribuir para alimentar tensões na nossa sociedade", disse a nota.

Leia também: Polícia antiterrorismo da Holanda prende suspeito a pedido da França

Erdogan reagiu e criticou a Holanda, dizendo que os holandeses são "resíduos do nazismo e do fascimo". "Vocês podem impedir nosso ministro de voar, mas, a partir de agora, vamos ver como os voos de vocês aterrissarão na Turquia", ameaçou.

* Com informações da Agência Ansa.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.