Presidente acredita que Obama e seus assessores de confiança estejam por trás de vazamentos de informações que "atormentam sua administração"

Trump culpa Obama de organizar as manifestações que têm se espalhado contra seu governo republicano
Robyn Beck/ AFP/ Estadão Conteúdo
Trump culpa Obama de organizar as manifestações que têm se espalhado contra seu governo republicano

O presidente norte-americano Donald Trump afirmou, em entrevista exclusiva à rede de TV “Fox News”, nesta terça-feira (28) que acredita que o Barack Obama e seus assessores de confiança estejam por trás dos protestos e vazamentos de informações que têm "atormentado sua administração". Além disso, ele diz que não espera que isso termine tão logo.

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Durante a entrevista ao “Fox & Friends”, Trump culpa Obama de organizar as manifestações que têm se espalhado em todo o território norte-americano contra seu governo republicano. Diversos protestos acontecem no país desde o dia 8 de novembro, das eleições. Ele também responsabiliza o ex-presidente democrata pelos vazamentos (no mínimo constrangedores) que serviram como obstáculo para que o então candidato à presidência pudesse “divulgar sua mensagem”.

“Acredito que o presidente Obama está por trás disso, porque suas pessoas [de confiança] estão por trás disso, com certeza”, afirmou. “E alguns dos vazamentos possivelmente vieram deste grupo, você sabe, alguns destes vazamentos – que são de conteúdo muito sério, porque eles são ruins para a segurança nacional”, completou.

Apesar das acusações contra o ex-presidente, Trump não forneceu nenhuma prova ou evidência para suas afirmações. Mesmo assim, o presidente do país não está sozinho em sua crença: um ex-agente sênior da Inteligência dos Estados Unidos afirmou à Fox News no começo deste mês de fevereiro que suspeitava de que o ex-diretor da CIA, John Brennan, e o ex-diretor da Inteligência Nacional, James Clapper – entre outros – estariam relacionados aos tais vazamentos.

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Alguns destes oficiais recuaram. Um porta-voz de Clapper, em um anúncio recente, tentou distanciar o nome do ex-chefe de Inteligência de qualquer problema relacionado às informações vazadas, clamando uma sindicância, ao mesmo tempo em que instigou a nova administração a tomar uma atitude para uma investigação séria.

“Vazamentos precisam ser investigados, mas essas investigações deveriam ser conduzidas de uma forma que não sejam depreciativas aos nossos dedicados profissionais de Inteligência nem destrutivas a nossa comunidade como um todo”, afirmou o porta-voz Shawn Turner.

Ben Rhodes, ex-assessor de segurança nacional adjunto, também negou qualquer envolvimento “nos vazamentos de e-mail para o Atlântico”. “É totalmente absurdo e não faz sentido algum”, enfatizou.

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Acusações contra assessores do ex-presidente já aconteceram desde a posse do republicano, mas a afirmação de que Obama – que começou sua carreira política como um líder comunitário – esteja ativamente gerenciando protestos é totalmente inédita. Apesar disso, o presidente norte-americano parece não “se incomodar” com isso.

“Entendo que isso é política. E em termos de ele estar por detrás disso, é política. E isso provavelmente continuará”, pontuou o mandatário. “E não estou realmente surpreso porque eu entendo a maneira que o mundo funciona. É política. O que quero dizer é que estou mudando as coisas que ele gostaria de ter feito”, finalizou Trump.

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