Acusado de receber propina da Odebrecht, ex-presidente do Peru pode ser preso

Ex-diretor da empreiteira na nação latina confirmou às justiças brasileira e peruana que pagou US$ 20 milhões ao ex-presidente Alejandro Toledo
Foto: Facebook/ Alejandro Toledo
Alejandro Toledo é acusado de tráfico de influência e lavagem de dinheiro, envolvendo a empreiteira Odebrecht.

O promotor Hamilton Castro, que investiga o pagamento de propinas pela Odebrecht no Peru, pediu a prisão preventiva do ex-presidente Alejandro Toledo (2001-2006), acusado de tráfico de influência e lavagem de dinheiro, envolvendo a empreiteira Odebrecht.

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O anúncio foi feito pelo procurador-geral do país andino, Pablo Sánchez, em entrevista à emissora "RPP". Como o ex-mandatário está na França, a solicitação de detenção pode incluir uma ordem de captura internacional. Jorge Barata, ex-diretor da Odebrecht na nação latina, confirmou às justiças brasileira e peruana que Toledo recebeu US$ 20 milhões em propinas para garantir à empreiteira as obras de construção da Estrada do Pacífico, que liga os dois países.

A polícia já fez uma operação de busca e apreensão na mansão comprada pelo ex-presidente em Lima após deixar o poder. Toledo nega as denúncias e acusa seus inimigos de "perseguição". Barata também está sendo investigado, assim como Josef Maiman, empresário que teria servido de "laranja" ao ex-mandatário.

De acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, a Odebrecht pagou cerca de US$ 29 milhões em subornos no Peru entre 2005 e 2014.

Propina em outros países

No acordo de delação premiada firmado com autoridades dos Estados Unidos , a empreiteira Odebrecht e uma de suas subsidiárias, a petroquímica Braskem, admitiram ter pago mais de US$ 1 bilhão, cerca de R$ 3,3 bilhões, em propina a funcionários do governo em 12 países, entre eles o Brasil, além de seus representantes e partidos políticos.

Conforme documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos , representantes da Odebrecht confessaram o pagamento de propina no valor de US$ 788 milhões, desde 2001, enquanto a Braskem confessou ter pago aproximadamente US$ 250 milhões entre 2016 e 2014.

As empresas se declararam culpadas por várias fraudes e concordaram em pagar uma multa total de pelo menos US$ 3,5 bilhões em penas globais para resolver o que é considerado o maior caso de suborno estrangeiro na história. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos informa que a empreiteira criou um departamento exclusivo para gerenciar o pagamento de propina.

Na Divisão de Operações Estruturadas, executivos da companhia gerenciavam o “orçamento sombra", que era utilizado para pagar propinas e subornos no Brasil, Angola, Argentina, Colômbia, República Dominicana, Equador, Guatemala, México, Moçambique, Panamá, Perú e Venezuela.

De acordo com o vice-procurador-geral adjunto do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, Sung-Hee Suh, as companhias usaram uma unidade de negócios, algo como um ‘Departamento de Subornos’ para fazer os negócios ilícitos. “Esse setor pagou centenas de milhões de dólares para corrupção de funcionários governamentais em países de três continentes", disse.

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As investigações dão conta de que, em 2006, o esquema evoluiu de tal forma que a Odebrecht criou a "Divisão de Operações Estruturadas". Até 2009, o chefe do departamento reportou-se aos mais altos níveis da empreiteira, inclusive para obter autorização para aprovar pagamentos de suborno. Já a partir de 2009, a responsabilidade foi delegada a outras empresas de negócios no Brasil e nas demais jurisdições.

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