Ainda neste domingo, Benjamin Netanyahu aprovou projetos de construção de centenas de residências em bairros de colonos do leste de Jerusalém

Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu conversou com o presidente dos EUA Donald Trump neste domingo
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Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu conversou com o presidente dos EUA Donald Trump neste domingo

Neste domingo (22), o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu conversou por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tomou posse do governo norte-americano na última sexta-feira (20). Na ligação, o premiê israelense foi convidado a visitar Washington, capital do país, em fevereiro.

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"A data final será decidida nos dias anteriores à visita", informou o gabinete de Netanyahu , acrescentando que os dois discutiram "o acordo sobre o tema nuclear com o Irã, o processo de paz com os palestinos e outros assuntos". 

Trump disse a jornalistas na Casa Branca que a conversa "foi muito boa", sem dar detalhes. Essa foi a primeira conversa telefônica entre os dois líderes.

Colonização

Ainda neste domingo, horas antes da conversa, Israel relançou a colonização, ao aprovar projetos de construção de centenas de casas em Jerusalém Oriental.

A prefeitura israelense de Jerusalém deu a aprovação definitiva à construção de 556 casas em três bairros de colonos do leste da cidade, de população majoritariamente árabe, anunciou um conselheiro municipal.

Paralelamente, a ala mais dura da direita no poder lançou uma campanha de pressão contra Netanyahu, a favor da anexação de Maalé Adumim, uma importante colônia da Cisjordânia ocupada.

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Segundo projeto de lei apresentado por dois deputados da maioria parlamentar, Israel anexaria Maale Adumim, assim como um setor que uniria essa colônia a Jerusalém. A decisão dividiria em duas a Cisjordânia e tornaria praticamente impossível a criação de um Estado palestino viável, com continuidade geográfica. Situada a leste de Jerusalém e criada em 1975, Maalé Adumim é a terceira colônia mais populosa da Cisjordânia.

Em Jerusalém Oriental, a pedido de Netanyahu e à espera da chegada de Trump à Casa Branca, foram congeladas, no fim de dezembro, as autorizações de construção de casas, explicou Meir Turjeman, presidente da Comissão de Construção e Planejamento da prefeitura de Jerusalém. Essas casas seriam construídas agora nos bairros de colonos de Pisgat Zeev, Ramot e Ramat Shlomo, disse.

"As regras do jogo mudaram com a chegada de Donald Trump ao poder. Não temos mais as mãos atadas, como na época de Barack Obama", afirmou Turjeman.

"Essas 566 casas são apenas o tiro de largada. Temos planos para construir 11 mil casas, à espera de autorização" nos bairros de colonos de Jerusalém Oriental, acrescentou.

A resposta palestina não demorou a chegar: "a decisão israelense é um desafio ao Conselho de Segurança (da ONU), sobretudo após sua recente votação, na qual afirma o caráter ilegal das colônias", afirmou Nabil Abu Rudeina, porta-voz da presidência palestina.

"Exigimos que o Conselho de Segurança aja em conformidade com essa resolução, para deter o governo extremista israelense que destrói qualquer possibilidade de alcançar uma solução com dois Estados", acrescentou.

O movimento islamita palestino Hamas, inimigo de Israel, também condenou a decisão israelense, que classificou de "contrária ao direito internacional".

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O prefeito de Jerusalém, Nir Barkat, declarou, em comunicado, que também serão construídas 105 casas nos bairros palestinos. "Passamos oito anos difíceis com Barack Obama, que pressionava para que as construções fossem congeladas", explicou o prefeito.

Cerca de 430 mil colonos israelenses vivem atualmente na Cisjordânia ocupada e mais de 200 mil em Jerusalém Oriental, que os palestinos querem que seja a capital do Estado ao qual aspiram. Com Trump no poder, Netanyahu já começou a mudar as decisões do país.

* Com informações da Agência Brasil.

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