Caso WikiLeaks: Obama anuncia que Chelsea Manning será libertada em maio

Presidente dos EUA comutou pena da ex-soldado norte-americana que havia sido condenada a 35 anos de prisão por revelar segredos do Exército do país
Foto: Flickr
WikiLeaks: ex-soldado foi condenada a 35 anos de prisão por ter revelado segredos dos Estados Unidos para site

Após especulações, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, realmente irá comutar a pena de Chelsea Manning, a ex-soldado transgênero condenada a 35 anos de prisão por ter vazado milhares de documentos sigilosos do governo norte-americano ao site WikiLeaks.
Segundo a mídia norte-americana, Manning será libertada no dia 17 de maio ao invés de sair da prisão em 2045.

Na semana passada, o portal "NBC News", citando fonte do Departamento de Justiça dos EUA, que não quis se identificar, já havia dito que a ex-soldado – que entregou mais de 700 mil documentos sigilosos dos Estados Unidos ao WikiLeaks poderia estar na última lista de comutação do mandatário,  que já realizou mais "atos de clemência" nos seus dois mandatos que os últimos nove presidentes norte-americanos.

Em 2013, Manning pediu pela primeira vez o perdão ou a comutação da sua pena a Obama, na tentativa de diminuir o seu tempo de encarceramento. A prisioneira já tinha enviado uma carta ao democrata, assinada pelo advogado David Coombs, junto a um pedido da Anistia Internacional (AI).  Até aquela época, Obama já havia recebido 1.496 pedidos de indulto e 8.313 de penas alternativas a Manning.

No mês passado, em dezembro, mais de 100 mil pessoas assinaram uma petição para que a sentença de Manning fosse comutada. Organizações norte-americanas, como a American Civil Liberties Union e outras ONGs LGBT, também apoiam abertamente a causa.

"Vão embora": brasileiros relatam preconceito e medo a dias da posse de Trump

O pedido de clemência também foi feito por Edward Snowden, o ex-analista de sistemas da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA), que foi responsável por vazar milhões de documentos sigilosos de espionagem do governo norte-americano à imprensa. "Senhor presidente, se você conceder um único ato de clemência antes de sair da Casa Branca, por favor: liberte Chelsea Manning. Você sozinho pode salvar a vida dela", disse Snowden no seu Twitter nesta quarta-feira, dia 12.

Manning se declarou culpada das declarações em 2010, pediu desculpas no tribunal pelos danos que suas ações causaram à população norte-americana e ao país e já cumpriu seis anos da sua pena, o que a ajudariam a receber a comutação.

Além disso, a ex-soldado também tentou se suicidar duas vezes no último ano e fez uma greve de fome ao terem recusado que ela fizesse a cirurgia de transição de sexo. Em setembro do ano passado no entanto, Manning conseguiu o aval do Exército para a cirurgia.

Julian Assange

Já o Twitter do WikiLeaks, site que publica informações sigilosas sobre o governo norte-americano, enviou uma mensagem que seu fundador, Julian Assange, se extraditaria para os EUA se Manning tivesse sua pena comutada . "Se Obama conceder a Manning clemência, Assange concordará com a extradição para os EUA mesmo que seja inconstitucional por parte do DOJ [Departamento de Justiça do país]", afirmou o tweet.

O australiano está desde 2012 na embaixada do Equador em Londres, onde pediu asilo diplomático para evitar que fosse extraditado para a Suécia, onde é acusado de agressão sexual. Mais de uma vez, Assange comentou que seu real medo é, que se voltar para a Suécia, será extraditado logo em seguida para os Estados Unidos, onde é acusado de ter publicado milhares de documentos sigilosos do Exército norte-americano no WikiLeaks, que foram vazados por Manning.

* Com informações da Ansa

Link deste artigo: http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2017-01-17/chelsea-manning.html