Saída da União Europeia teria como consequência o controle da entrada de imigrantes: "atrairemos os melhores", disse a primeira-ministra Theresa May

May foi otimista, afirmando que a saída da União Europeia é oportunidade para o país se tornar mais internacional
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May foi otimista, afirmando que a saída da União Europeia é oportunidade para o país se tornar mais internacional

Em um discurso feito em Londres nesta terça-feira (17), a primeira-ministra britânica, Theresa May, anunciou que o Reino Unido seguirá os passos necessários para deixar a União Europeia e que, com isso, vai mesmo abandonar o mercado único europeu.

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De acordo com a premiê, a saída da União Europeia é uma oportunidade para o país se tornar ainda mais internacional. Muito criticada nos últimos meses por não ser clara nas propostas para a transição, May adotou um tom reconciliador e otimista, dizendo que o Reino Unido quer negociar com os outros países da União Europeia .

May, definiu o percurso da chamada Brexit, que deve ser realizada de maneira "gradual" e durar dois anos. Ela também disse que faltou "flexibilidade" por parte da União Europeia e prometeu construir uma nação "verdadeiramente global". “Vamos sair da União Europeia, mas não vamos abandonar a Europa. Queremos um Reino Unido mais justo, tolerante, mais unido do que nunca”, destacou.

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May afirmou ainda que a saída da UE tem como consequência o controle da entrada de migrantes. “Vamos continuar atraindo os melhores para estudar e trabalhar no Reino Unido, mas teremos que controlar o número de pessoas que entram”, acrescentou, deixando claro que a imigração tem que servir aos interesses britânicos.

Brexit

O Reino Unido surpreendeu o mundo ao decidir, em um plebiscito realizado no dia 23 de junho de 2016, sair da União Europeia. 

O resultado do plebiscito revelou uma profunda divisão no país. O Brexit (palavra criada pela fusão de "Britain" e "exit", ou saída da Grã-Bretanha) recebeu 51,9% dos votos contra 48,1% pela permanência na UE.  O interior da Inglaterra e o País de Gales apoiaram majoritariamente a saída da UE, enquanto Londres, Escócia e Irlanda do Norte optaram pela permanência.

No segundo semestre de 2016, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, afirmou que considera a decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia "irrevogável", mesmo que lamente o fato.

"Agora nós temos que negociar a base de nossos interesses. E 'negociar', acima de tudo, significa o fortalecimento dos interesses em comum", assegurou a chanceler. Merkel ainda disse que o Brexit é um teste para a União Europeia e que aliança oferece a seus membros "uma voz forte no mundo" , algo que os países individualmente não teriam. 

Michael Roth, ministro do governo britânico responsável pelas relações diplomáticas com a UE, assegurou que as relações diplomáticas com o bloco requer o estudo de soluções, mas frisou que o Reino Unido não poderá escolher, minuciosamente, seus termos do acordo. 

Em entrevista à Bloomberg , em outubro, Roth disse o Brexit "é uma situação histórica e única". "Iremos encontrar um acordo que beneficie a União Europeia e o Reino Unido", disse o ministro britânico.

* Com informações da Agência Ansa.

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