Autor da peça contra a ex-comandante da Casa Rosada, promotor Alberto Nismam foi encontrado morto quatro dias após apresentar sua acusação

Segundo denúncia apresentada à Justiça, Cristina teria agido de maneira irregular em caso sobre atentado
José Cruz/Agência Brasil - 16.7.2014
Segundo denúncia apresentada à Justiça, Cristina teria agido de maneira irregular em caso sobre atentado

A Justiça da Argentina reabriu nesta quinta-feira (29) a denúncia do promotor Alberto Nismam contra a ex-presidente Cristina Kirchner. Dias antes de aparecer morto, Nismam acusou a ex-comandante Casa Rosada de ter tentado garantir a impunidade de iranianos que perpetraram em 1994 um atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), no qual 85 pessoas morreram e cerca de 330 ficaram feridas. As informações são da Agência Ansa.

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No ano passado, Nisman denunciou à Justiça Cristina, o ministro de Relações Exteriores, Héctor Timerman, e outros dirigentes políticos de terem negociado um acordo bilateral com o governo do iraniano, que foi assinado em 2013, com a intenção de encobrir altos funcionários do país do Oriente Médio na investigação.

Apenas quatro dias depois de ter apresentado sua denúncia, no dia 18 de janeiro de 2015, Nisman foi encontrado morto em seu apartamento em Buenos Aires , capital da Argentina. Ele era responsável pela investigação do atentado contra a sede da Amia, uma das principais instituições da comunidade judia na Argentina, que deu ordens de prisão a seis altos dirigentes de Teerã acusados de organizar o ataque.

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O acordo, que foi assinado por Argentina e Irã, nunca foi ratificado pelo Parlamento iraniano e foi declarado inconstitucional pela Suprema Corte de Buenos Aires. A denúncia de Nisman se tornou objeto de um processo jurídico que acabou sendo arquivado até esta quinta-feira, quando foi reaberto.

"A decisão deliberada de encobrir os responsáveis de origem iraniana (...) foi tomada pela presidente Cristina Kirchner e instrumentada principalmente pelo ministro de Relações Exteriores, Héctor Marcos Timerman", disse Nisman ano passado, durante a apresentação de sua denúncia. Segundo o promotor, a mandatária teria tido motivos comerciais, como intercâmbio de petróleo e grãos.

Congelamento de bens

Em julho, a ex-presidente teve seus bens confiscados por ordem do juiz federal argentino Claudio Bonadio . Ela foi alvo de investigação sobre sua suposta participação em um esquema de venda de dólares em mercados futuros a preços abaixo da média.

Em resposta à decisão da Justiça, Cristina declarou que se sente injustiçada. "A verdade é que hoje ficou aparente a perseguição por parte de um setor judicial", disse após deixar os tribunais. As operações financeiras ilegais teriam causado um prejuízo ao equivalente de R$ 17 bilhões aos cofres públicos do país.


* Com informações da Agência Brasil

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