"Trump da França", Le Pen deve ir para 2º turno e dar força à extrema-direita

Eleições na França podem dar força às ideias extremistas na União Europeia, especialmente por atentados terroristas; Le Pen é uma das favoritas no país
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Eleições na França podem dar força à extrema-direita na EU; Le Pen aparece como uma das favoritas ao segundo turno

O próximo ano promete “emoções” na França, com as eleições de 2017 e a potencial força da candidata de extrema-direita, Marine Le Pen, que tem grande possibilidade de disputar, pelo menos, o segundo turno do pleito, o que seria um feito inédito para o seu partido, Frente Nacional (FN).

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À Ansa, o professor de Relações Internacionais da Universidade Belas Artes, Sidney Ferreira, afirmou que, aparentemente, Le Pen vai para a disputa final das eleições pela Presidência. No entanto, o especialista questiona o discurso da candidata do FN, já que não condiz com a política francesa, e “foge das tradições”.

"Ela tem um forte discurso contra a imigração, defende o retorno da pena de morte, tem um discurso forte contra a União Europeia, contra os muçulmanos. Isso divide muito a opinião pública francesa. Um discurso mais iluminista, que segue mais a tradição francesa, ainda é maioria", explicou o especialista.

Slogan populista

Marine Le Pen conseguiu afastar sua carreira política de seu pai, Jean-Marie Le Pen, que fundou o partido do qual faz parte, se lançando com campanha presidencial de slogan bem populista “em nome do povo”.

Assim como o republicano Donald Trump, nos Estados Unidos, ela se baseia em políticas de maior fechamento das fronteiras, defende medidas protecionistas em relação à economia do país, que, aliás, não apresentou crescimento relevante nos últimos oito anos.

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Outro fator que dá ainda mais força para a candidata de direita são os grandes atentados terroristas sofridos pela França nos últimos dois anos: Le Pen levanta a bandeira de que “os imigrantes são culpados” para que tudo isso tenha aflorado em território nacional. Ademais, a candidata também usa a mesma tática de Trump ao atacar os grandes veículos de imprensa nacional, acusando-os de falar mentiras. Tudo isso faz com que ela obtenha grande simpatia de parte do eleitorado que, supostamente, está desiludido com os “políticos tradicionais”.

Com esse cenário, o país aparenta apresentar uma polarização política que está sendo vista em outras grandes nações do mundo, tais como Estados Unidos e Grã-Bretanha.

Os concorrentes

Há “frentes de combate” sendo criadas a fim de derrubar o “fenômeno Le Pen”. Uma delas é a dos conservadores, que apresentaram a candidatura do primeiro-ministro François Fillon – que, aliás, possui um discurso semelhante a ela em relação aos imigrantes.

O político de 62 anos já propôs medidas do conservadorismo clássico para a economia, tanto sobre os corte de gastos e sobre a quantidade de servidores públicos - além de ter como bandeiras reformas trabalhistas e de Previdência. Fillon, que se diz “profundo admirador da ex-primeira-ministra Margaret Thatcher”, possui apoio do ex-presidente Nicolás Sarkozy (a quem derrotou nas primárias do partido). Além disso, é católico fervoroso, buscando votos ao defender o fim do aborto e da união civil entre pessoas do mesmo sexo, permitidos no país. 

A campanha tenta conseguir apoio também da extrema-direita que não se reconhece no FN.

Enquanto a direita e a extrema-direita se articulam, entre os socialistas, a situação ainda é de interrogações, já que o atual presidente François Hollande anunciou, recentemente, que desistiria de concorrer à reeleição. Assim, até o momento, existem nove nomes apontados para disputar as primárias do partido, marcadas para acontecer nos dias 20 e 29 de janeiro do próximo ano.

Entre os favoritos, aparecem o ex-premiê de Hollande, Manuel Valls, e o ex-ministro da Economia Arnaud Montebourg.

Valls, que é europeísta convicto, apresenta como ideia principal a reforma constitucional francesa, acreditando que isso evitaria problemas como os que ocorreram em sua gestão com a reforma trabalhista. Apesar de aparecer, atualmente, em terceiro lugar nas pesquisas de opinião, existem muitos especialistas que apontam-no como o único que pode fazer frente aos candidatos de direita e extrema-direita.

Por outro lado, Montebourg é um ferrenho crítico da política de Hollande e já cobrou, por diversas vezes, que a União Europeia "redefina” diversas regras para permitir que seus Estados-membros apresentem crescimento. No entanto, está longe de ser alguém contrário ao bloco econômico.

Os demais concorrentes entre os socialistas são os ex-ministros Benoit Hamon e Vincent Peillon, além de François de Rugy, Jean-Luc Bennahmias, Gérard Filoche, Sylvia Pinel e Fabien Verdier.

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Por fim, numa espécie de campanha “por fora”, “concorrente ao antissistema”, está o candidato Emmanuel Macron, de 38 anos. Ele já foi ministro da Economia do governo Hollande e concorrerá com uma candidatura independente. "Não sou de direita nem de esquerda. Nosso país acordará através da juventude e coloco a minha candidatura como sinal de esperança", afirmou ao lançar sua candidatura.

Seja quem forem os candidatos à Presidência, a disputa promete ser acirrada – e os resultados podem trazer o nome de Le Pen para segundo turno. Isso porque, desde 1965, nunca houve um vencedor em primeiro turno no país. As eleições presidenciais ocorrem no dia 23 de abril e o segundo turno no dia 7 de maio.

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